sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

BOAS FESTAS - SANTO NATAL!



"Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade" (Lc.2, 14)

Uma estrela diz ao mundo: é NATAL! É JESUS que nasce! Deus torna-se um de nós!

É no calor humano do teu coração que o Menino-Deus quer nascer de novo.

As Obras Missionárias Pontifícias desejam-lhe, bem como a toda a família, um FELIZ E SANTO NATAL e um NOVO ANO repleto das mais abundantes bênçãos de Deus.

O Director Nacional

O Secretário


quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

IRMÃ GLÓRIA LOPES, ESPIRITANA: UMA PAIXÃO INDOMÁVEL PELA MISSÃO. - Conclusão


De Braga a Cabo Verde…

Regressou a Portugal em 1994. Fez a sua Profissão Perpétua e foi nomeada para Braga. Ao longo de dez anos, trabalhou e estudou. Fez o curso de Teologia na Universidade Católica. Quando o terminou, estava outra vez de malas feitas para regressar a Angola, mas seria enviada para Cabo Verde. Outra nova frente de Missão se abria na linha do seu horizonte de missionária sem fronteiras.

Chegou à grande Paróquia de Santa Catarina em 2004. Encontra um povo simples, com muita fé e grande vontade de crescer no conhecimento de Deus. Ali não tem mãos a medir, apostando na formação dos Catequistas, catequizandos, Leitores. Colaborou ainda na Formação de Catequistas noutras Paróquias da Ilha de Santiago, bem como na Formação Teológica das Noviças da Congregação ao longo dos dois anos de Noviciado.

Missão em Portugal

Quando tudo parecia correr de vento em popa, as Superioras pedem-lhe um trabalho para o qual nunca pensara ser convidada: Economato Provincial. Assim, regressa a Portugal em 2007, assumindo este cargo em 2008. A grande vantagem desta nova Missão é que está em contacto permanente com todas as Irmãs que estão na linha da frente. Sente-se Espiritana porque “a Irmã Missionária do Espírito Santo, procura responder na Fidelidade aos apelos do Senhor, por isso não escolhe, não pede, mas acolhe e vive a missão ao jeito de Jesus, o primeiro Missionário do Pai, nas pegadas de Eugenie e de Libermann”.

Mas não só de contas se faz o dia-a-dia desta Espiritana. Está empenhada na Pastoral da sua Paróquia (Cruz Quebrada), no Voluntariado Espiritano e na formação e acompanhamento de jovens. No próximo fim-de-semana, na Casa de Saúde do Telhal, vai falar da Oração e ‘pôr a rezar’ oito dezenas de Animadores dos Jovens Sem Fronteiras vindos de todo o país.

Ir onde ninguém quer…

Hoje, as Espiritanas estão presentes na Europa, América e África e preparam-se para, em breve, irem para a Ásia, abrindo uma Missão nas Filipinas. Parece um risco grande em tempo de crise, mas há que ousar porque como conta a Irmã Glória, “as Espiritanas têm sempre presente o objectivo de ir aos lugares onde ninguém ouviu falar de Jesus Cristo. Nas palavras do padre Libermann, somos chamadas/os a ser os ‘farrapeiros’ da Igreja, a ir onde mais ninguém quer ir”.

Texto: Tony Neves iN Jornal Voz Verdade – Perfil

Foto: JCF

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

IRMÃ GLÓRIA LOPES, ESPIRITANA: UMA PAIXÃO INDOMÁVEL PELA MISSÃO.


Nasceu no Porto, formou-se em Braga e trabalha em Lisboa. Angola acolheu-a nos anos quentes da guerra civil. Cabo Verde foi terra de Missão com a aposta na formação teológica de líderes. Actual Ecónoma Provincial, privilegia o contacto com as Irmãs da linha da frente. Apoia a catequese da sua Paróquia, dedica-se à pastoral juvenil e à formação de futuros Voluntários Missionários.

De Paredes às Espiritanas

Nasceu em Paredes (Diocese do Porto), cresceu numa família cristã, em dia de Santo António. O Crisma, aos 17 anos, marcou uma viragem no seu compromisso na Paróquia. Aos 18 anos, após ter conhecido as Missões através das revistas dos Combonianos (Audácia e Além-Mar), decidiu enfrentar o pai e dizer-lhe: ‘Eu quero ser Missionária em África’.

As suas ideias começariam a mudar num retiro que fez aos 21 anos, mas serão as Irmãs Espiritanas quem a marcariam para sempre. Após longa caminhada de discernimento, entrou na Congregação em 1983, iniciando a sua formação religiosa de Postulantado e Noviciado. A primeira Profissão Religiosa aconteceu em 1987, podendo alcançar um dos seus grandes objectivos em 1991: estava de malas feitas e pronta para partir rumo à Angola dos seus sonhos.

Angola, em tempo de guerra…

Angola era um país em plena guerra civil e Luanda viveu, no terrível ano de 1992, uma terrível chacina que marcariam para sempre o coração da Irmã Glória. Ali vive três intensos anos de Missão, o seu ‘primeiro amor’ como gosta de partilhar com um brilho especial nos olhos. A sua actividade pastoral é vivida nas periferias pobres da capital, com Catecúmenos e Catequese de Adultos. Confessa: “Foi um tempo denso. O meu coração ficará marcado para sempre pelo calor daquele povo irmão”.

(CONTINUA NO PRÓXIMO POST…)

Texto: Tony Neves iN Jornal Voz Verdade – Perfil

Foto: JCF

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

DIANA E RUI, LEIGOS MISSIONÁRIOS DA CONSOLATA – UMA MISSÃO EM FAMÍLIA ENTRE LISBOA E GUIÚA - Conclusão


Missão em Guiúa...

Casaram em partiram em 2008. No site www.entrepovos.pt.to foram contando as experiências vividas no quotidiano de uma Missão pobre do interior de Moçambique. De rajada, o Rui explica onde passaram, com tanta felicidade e tanto trabalho, estes dois anos de Missão: Jardim-Escola, Aulas de Informática, Centro de Saúde e Maternidade, Apoio na catequese paroquial, apoio no Centro Catequético da Diocese, Construção do novo edifício Biblioteca-Escolinha, Site do IMC Moçambique – produção do site e material multimédia, vídeos etc. (www.consolatamz.com) e Apoio na nova revista missionária em Moçambique (Caminhos – um horizonte Missionário Está no site do IMC de Moçambique) ‘. Muito trabalho, muita alegria, muito crescimento na Fé e na Missão.

Dor e alegria na despedida...

Viver em Missão com o povo cria laços que, na hora da despedida fazem doer o coração. Foi assim na Escolinha do Guiúa, a 10 de Junho: ‘ Foi uma manhã emocional na escolinha. Chegado o dia, tirámos muitas fotos, demos muitos abracinhos, distribuímos uns rebuçados, e no fim, depois da papinha, por muito que explicássemos que já não voltaríamos à escolinha, eles despediram-se com um "tá tá (Adeus) e até amanhã!" ‘.

Balanço na hora do regresso...

Na hora de abandonar Moçambique, a dor não abafou a alegria de uma Missão cumprida e feliz:

Quando chegámos, há quase dois anos, vínhamos prontos para dar e dar e dar. Agora temos a noção que recebemos infinitamente mais do que o que demos. Todo o acolhimento, todo o respeito, toda a compreensão, toda a calma, toda a amizade, toda a paciência ... enfim, deram aquilo que de melhor têm.

Temos a sensação que temos os olhos cheios, vimos tantas coisas, pessoas, paisagens, acontecimentos, realidades ...umas bonitas, outras menos bonitas. E temos a consciência que nos vamos sentir tristes quando quisermos explicar o que vivemos, e não conseguirmos expressar por palavras tudo o que os nossos olhos viram, o que os nossos corações sentiram e o que os nossos cérebros pensaram. Mas foi real! Foi a realização de um sonho, e foi uma resposta ao nosso "Dadani", ao nosso Pai do Céu, pois em cada momento Ele esteve connosco a dar-nos força, ânimo. Nós estivemos no Guiúa, vivemos o dia a dia com as pessoas do Guiúa, vivemos tudo o que isso acarreta. Voltamos para a nossa família, mas uma parte de nós ficará sempre no Guiúa, em comunhão pela oração.

A Missão continua em Portugal, mas podem ver os relatos de Guiúa em www.entrepovos.pt.to


Texto: Tony Neves iN Jornal Voz Verdade - Perfil

Foto: DR

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

DIANA E RUI, LEIGOS MISSIONÁRIOS DA CONSOLATA – UMA MISSÃO EM FAMÍLIA ENTRE LISBOA E GUIÚA


A Igreja celebrou, em Outubro, o Dia Mundial Missionário. A Missão tem rostos e hoje apresentamos dois: o Rui tem 30 anos e é designer gráfico; a Diana tem 28 e é professora do Ensino Básico. Casaram em 2008 e decidiram dar os dois primeiros anos da sua vida de casados à Missão. Partiram para Guiúa, Moçambique onde viveram tempos de sonho, como Leigos Missionários da Consolata. Acabam de regressar e estão agora a acordar para uma vida a outro ritmo, cá na Europa. Mas o sonho da Missão não vai acabar nunca...

Uma infância com Deus presente

A infância de ambos foi tão normal como feliz. Nascidos e crescidos em famílias cristãs, a Diana, através dos três irmãos mais velhos, já tinha uma ligação à família da Consolata. Aliás, a Tina, sua irmã, estivera dois anos em Moçambique, terminando a Missão um pouco antes do casamento da Diana com o Rui. Este era um rapaz com pouca vontade de ir á catequese e muita paixão pelo futebol e pelo BTT. Foi no grupo de jovens de Algueirão (‘Sempre Mais Alto’) que ganhou vontade de subir a fasquia do seu compromisso pela Missão: ‘fiz a minha preparação para o Crisma e depois mantive-me aí, ao mesmo tempo que entrava nos Jovens Missionários da Consolata, onde já tinha vários amigos e o meu irmão’. Foi lá que conheceu a Diana e ambos decidiram apostar num projecto missionário que envolvesse toda a vida.

Guiné...e Moçambique

Em 2003, a Diana foi até á Guiné Bissau fazer um mês de experiência em Missão com as Irmãs Missionárias da Consolata que estão em Empada. Este ‘cheirinho’ de Missão abriu o apetite para muito mais e, ainda antes de casar, ela e o Rui já tinham manifestado a vontade de partir: ‘Moçambique foi o Destino, na sequência da estadia da Tina e do Filipe e do Ricardo e da Elizabeth, mas fomos para a Missão do Guiúa onde está o Centro de Promoção Humana’. Em 2005, tinham já feito da Missão opção de Vida e, assim, entraram para os Leigos Missionários da Consolata.

(CONTINUA NO PRÓXIMO POST…)

Texto: Tony Neves iN Jornal Voz Verdade – Perfil

Foto: DR

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A MISSÃO EM TEMPO DE GLOBALIZAÇÃO - Conclusão


Os novos horizontes da missão

1. Os novos modelos desta sociedade global são cada vez mais construídos a margem de qualquer referência religiosa. As antigas mediações por onde passava a fé: a família, a escola, a cultura, o meio, deixaram de os ser. O número dos que não conhecem a Deus esta em contínuo aumento, duplicou desde o Concílio para cá, como diz João Paulo II. Assim neste mundo secularizado, a necessidade de uma primeira evangelização é cada vez mais urgente.

2. Diante da uniformização dos padrões culturais veiculados pelas grandes potências, os povos tornam-se cada vez mais sensíveis à defesa dos seus próprios valores. Assim, o anúncio do Evangelho passa pelo respeito pela diferença e pela defesa dos seus valores culturais, pela promoção da sua identidade. Evangelizar, mais que convencer, é respeitar, escutar e acolher .

3. A lei do mercado acentua a clivagem entre ricos e pobres. A globalização da economia acabou por excluir os que não podem competir. Anunciar o Evangelho neste contexto emerge cada vez mais como opção pelos excluídos. Hoje não basta ajudar, é preciso lutar pela dignidade dos pobres, defender os seus direitos, contra todas as forcas que os oprimem. A justiça e a paz são hoje os grandes desafios da missão.

4. A sociedade actual está toda organizada em função do consumo. Os próprios valores culturais tomaram-se produtos de consumo. Esta atmosfera anula todo o espaço para os valores da gratuidade e da pessoa como tal. Todos os valores não rentáveis são marginalizados: os espaços verdes, a criança, a pessoa idosa, a contemplação. Anunciar hoje o evangelho tem muito a ver com o regresso ao jardim da criação, onde Deus marca encontro com o homem, a defesa da identidade da pessoa, a beleza das arvores e a escola das flores.

5. Os meios de comunicação tomaram-se instrumentos ao serviço do poder de manipulação dos valores. As decisões politicas, económicas e sociais passam pela manipulação dos media. A sociedade mediática cria dependências. Como testemunhas do Reino, é-nos pedido para fazermos dos meios de comunicação areópagos da Boa Nova da informação, da comunhão entre as pessoas. João Paulo II fala deles como primeiro espaço da missão de hoje.

6. As rupturas nas tradições, as intervenções violentas dos mecanismos do mercado, a publicidade e a competição económica, levaram às perda de referências sólidas, ao culto da violência. A missão neste contexto passa pela promoção da reconciliação, pela defesa dos direitos dos mais débeis. As periferias, as situações de conflito, os campos de refugiados, as franjas de exclusão e de marginalização São mais que outras a “terra de missão”, nos tempos de hoje.

Texto: Pe. Adélio Torres Neiva

Foto: OMP

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A MISSÃO EM TEMPO DE GLOBALIZAÇÃO

1. 0 mundo de hoje foi definido como aldeia global. Neste mundo sem fronteiras, as distâncias de tempo e de espaço quase desapareceram. Com o contínuo aperfeiçoamento dos meios de comunicação, com as novas gerações de telemóveis, telefax, e-mail e internet, as ideias, as imagens e os valores circulam vertiginosamente em todas as direcções. As grandes potências da técnica e da economia dominam e controlam todas estas estradas da comunicação para fazerem circular os seus produtos, a sua cultura e os seus interesses. (Exemplo de circulação de vestuário, discos, cassetes, vídeos, filmes ) As culturas minoritárias que não têm capacidade para competir com estes gigantes são automaticamente excluídas deste processo.

2. E processo de globalização é dominado por uma economia de mercado. Procura-se satisfazer o consumo imediato e criam-se necessidades para fomentar esse consumo. Assim, continuamente são lançados modelos novos que anulam os anteriores: máquinas, carros, electrodomésticos, produtos alimentares. A vida útil de uma máquina da primeira revolução industrial era de 50 anos; depois passou para vinte; hoje é de três anos. 50 por cento dos produtos que fazem o nosso quotidiano alimentar, não existiam há 25 anos atrás.

3. Este novo modelo de mercado fez com que se passasse da especialização à integração. O produto que vai para o mercado deixou de ser monopólio de um grupo ou de um pais, para ser o resultado de numerosas intervenções, de todo um conjunto diversificado de multinacionais, que alimentam as suas sedes em vários países. Este sistema faz circular a riqueza cada vez mais entre os países ricos, deixando de parte os mais pobres; estes só interessam como mão de obra barata: ou se sujeitam ou são excluídos.

4. Passou-se do muro ideológico ao muro económico. Se há hoje um dado indiscutível é que a miséria e a riqueza continuam a aumentar no mundo, assim como cresce o fosso que separa os dois. Esse fosso não é apenas uma distância económica entre a pobreza e a riqueza, mas manifesta-se pela construção de muros ou fronteiras entre os países pobres e os países ricos. A União Europeia e os Estados Unidos consolidam-se como uma fortaleza, fechando as portas aos imigrantes , militarizam as suas fronteiras e expulsam para os seus países de origem aqueles que eles mesmos ajudaram a empobrecer e que se vêm agora obrigados a emigrar para sobreviver. Por forca destes muros, há países com estoques de produtos a prazo que são destruídos por o prazo ter terminado e outros a morrer de fome.

5. Passou-se da opressão à exclusão. A economia mundial dirigida por elites financeiras exclui do processo todos os que não podem competir. Dezenas de milhões de desempregados nunca mais encontrarão trabalho, porque foram substituídos pelas novas tecnologias. Uma boa parte da humanidade já não serve nem sequer para ser explorada. A evolução da tecnologia torna sumamente precária a profissão que se aprendeu. Hoje já não há profissões para a vida inteira e as industrias ou se reciclam ou ficam excluídas da concorrência do mercado.

6. A mundialização da economia e dos mercados teve como efeito uma crescente migração dos povos excluídos do processo, um êxodo dos países pobres para os países ricos, dos campos para as grandes cidades que se tornam cada vez mais refugio de todas as periferias. A cidade tornou-se o porto de refúgio onde se agudizam todos os problemas: a solidão, a promiscuidade, a prostituição, a droga, o desemprego, a violência, o crime. Por um lado, a emigração mistura as populações, as raças e as culturas, provocando uma nova forma de pluralismo étnico, cultural e religioso; por outro este pluralismo toma-se espaço de conflitos sociais e fronteira de exclusão, como acontece em todos os países de maior fluxo migratório.

7. A degradação do ambiente. O primado dos valores da produção leva a minimizar os valores da gratuidade, as pessoas não rentáveis economicamente, a degradação do ambiente, o consumo de recursos não renováveis. Cada dia que passa desaparece uma espécie vegetal que precisa de milhares de anos para ser recuperada.

(CONTINUA NO PRÓXIMO POST...)

Texto: Pe. Adélio Torres Neiva

Foto: DR

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

P. CASIMIRO OLIVEIRA, ESPIRITANO, PROCURADOR DAS MISSÕES – A MISSÃO DE APOIAR OS MISSIONÁRIOS - Conslusão

Dundo, em tempo de guerra

Angola voltou a acolhê-lo em 1982, na hora do seu regresso ao Dundo, onde encontrou uma contexto completamente diferente. Angola vivia uma terrível guerra civil e ao Dundo não chegava quase nada. O isolamento e a pobreza marcavam a vida das populações. O governo tentava impor o marxismo, o que dificultava muito a intervenção dos missionários. Foram apenas 3 anos, muito duros, mas muito felizes: ‘senti que voltava a ser missionário junto do povo mais pobre. Senti a admiração e apoio destas populações que se interrogavam sobre o porquê de um padre europeu estar ali a passar por graves privações em tempo de muito sofrimento’.

Procurador das Missões

Lisboa voltou acolhe-lo quando foi nomeado, por três anos, Procurador das Missões, fazendo equipa com o irmão Silva Gonçalves. Mas, de três em três, mantém ainda hoje o cargo que ele considera uma das imagens de marca da intervenção missionária dos Espiritanos Portugueses. Desde há muitos anos que os Espiritanos asseguram este serviço de apoio aos missionários que estão em África, sobretudo em Angola. Nos tempos críticos da guerra civil, seguiram toneladas e toneladas de ajuda humanitária através da Procuradoria das Missões. E a logística das Dioceses, Seminários e Missões foi, muitas vezes, garantida por este serviço missionário. Conclui o P. Casimiro: ‘neste trabalho, sinto-me um missionário da linha da frente’.

Menino Deus e Vale de S. António

Nunca largou a Pastoral. Todos os dias, de manhã bem cedo, vai de eléctrico até às imediações da Sé e do Castelo para celebrar a Eucaristia na belíssima Igreja do Menino Deus. Todos os Domingos e Dias Santos, a Capela do Vale de Santo António o acolhe de braços abertos para a celebração da Missa. Ali se reúne uma comunidade de fé bem enraizada, onde toda a gente conhece toda a gente e se entreajuda nas horas mais difíceis e faz festa nas horas mais felizes.

O estar a caminho dos oitenta não é registo que o preocupe... A Missão do P. Casimiro continua em Lisboa.

Texto: Tony Neves iN Jornal Voz Verdade – Missão

Foto: JCF

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

P. CASIMIRO OLIVEIRA, ESPIRITANO, PROCURADOR DAS MISSÕES – A MISSÃO DE APOIAR OS MISSIONÁRIOS


Procurador das Missões, o P. Casimiro é um dos rostos mais visíveis da comunhão que se vive entre as Igrejas de Portugal e de Angola. Ali foi missionário em duas etapas. Estudou Missiologia em Roma. Foi Vigário Geral e Ecónomo da Diocese de Malanje. Foi Provincial de Portugal em tempos muito difíceis. A caminho dos oitenta, consegue acumular a Procuradoria, com o economato da Casa Provincial e uma intensa actividade pastoral fora de portas...

De Santa Maria da Feira a Angola

Nasceu nas terras de Santa Maria da Feira. Professou em 1952 e foi Ordenado Padre pelo Cardeal Cerejeira no Seminário dos Olivais.

Angola...como quase todos

Como boa parte dos jovens Espiritanos do seu tempo, partiu para Angola indo parar à terra dos diamantes. Viveu no Dundo oito anos: ‘foram os grandes anos da minha vida como missionário em contacto directo com o povo simples. Investimos muito na catequese e na escola’.

Do Dundo saltou para Malanje, para ser o Vigário-Geral e Ecónomo da Diocese que tinha como Bispo D. Pompeu Seabra. Lá trabalhou intensamente até 1974, primeiro com D. Pompeu e depois com D. André Muaca. Define o primeiro ‘como um homem simples, simpático e próximo dos seus missionários e catequistas que se sentiam sempre em casa quando vinham ao Paço a Malanje. Atingido por um doloroso cancro, deixou um testemunho de coragem e de fé na forma como enfrentou a doença. Faleceu em 1973’. De D. Muaca guarda a imagem de simpatia e bondade que o caracterizou sempre, mesmo depois de ser nomeado Arcebispo de Luanda.

De Roma a Provincial em Lisboa

Roma acolheu o P. Casimiro em 1974. Estudou Missiologia na Universidade Gregoriana. Depois, a missão continuou em Lisboa, sendo nomeado Superior da Comunidade na Estrela. Eleito Provincial, assumiu o cargo num tempo muito difícil, na hora em que regressaram de Angola cerca de 200 Espiritanos. Muitos sentiram-se escorraçados, outros chegaram traumatizados e havia que conversar com eles, apontar-lhes hipóteses de trabalho pastoral. Deste período conturbado, o P. Casimiro guarda sentimentos opostos: ‘foi muito difícil gerir uma Província onde não conhecia a maioria dos confrades e ajudar a integrar os muitos que chegaram de Angola. Devo confessar que foi o meu tempo de padre mais angustiante e menos realizador’.

(CONTINUA NO PRÓXIMO POST…)

Texto: Tony Neves in Jornal Voz Verdade - Missão

Foto: Dr

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

CENTRO MISSIONÁRIO ARQUIDIOCESANO DE BRAGA (CMAB)


1. Em consonância com os nºs 20 e 21 da recente Carta Pastoral da CEP “Como Eu vos fiz, fazei vós também” – Para um rosto missionário da Igreja em Portugal, constitui-se nesta Arquidiocese o “Centro Missionário Arquidiocesano de Braga (CMAB), com as atribuições e competências sugeridas nos referidos números da Carta Pastoral, nomeadamente: a) promover e coordenar a formação, animação e cooperação missionária de todos os cristãos; b) promover a criação de “Grupos Missionários Paroquiais” (GMP); c) dar a conhecer e dar a estimular à participação em iniciativas missionárias; d) ajudar a estabelecer um conhecimento e relacionamento mais fecundo entre as comunidades locais e os seus missionários; e) velar por um melhor conhecimento, implantação e colaboração com as Obras Missionárias Pontifícias (OMP); f) promover as iniciativas achadas oportunas para sensibilizar e levar os cristãos a viver a sua vocação missionária.

2. O CMAB é constituído por sacerdotes, religiosas e leigos, que representam o sentir missionário do espaço Arquidiocesano, e a sua composição poderá ser reformulada periodicamente e sempre que necessário. Para este primeiro exercício, integram o CMAB os seguintes elementos:

P. Manuel Joaquim de Sousa Lobato, Delegado Arquidiocesano das OMP

P. Jorge Filipe Vilaça Barbosa

Marta Vilas Boas

Paulo Sérgio Torres Reina dos Santos

Ir. Ana Luísa dos Anjos Prego, FMM

Ir. Ana Cândida, Missionárias do Espírito Santo

P. Wandali Bava (CSSp)

Maria Silvina Freitas Martins

P. Joaquim Domingos Luís (SVD)

Ana Isabel Leite Moura Martins de Almeida

Maria Fernanda Leite Melo

Sandra Mafalda Pereira Paulo Eusébio

3. Nomeio Directora do CMAB a Dr.ª Marta Vilas Boas, que deverá coordenar todas as iniciativas de modo a dar às nossas comunidades um verdadeiro rosto Missionário no seguimento das Orientações da Carta Pastoral dos Bispos de Portugal.

Braga, 06 de Novembro, Festa de São Nuno de Santa Maria, de 2010.

D. Jorge Ferreira da Costa Ortiga - Arcebispo de Braga

Foto: JCF

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

P. MANUEL ABREU, MISSIONÁRIO DO VERBO DIVINO – MISSÃO VERBITA EM TRÊS CONTINENTES - Conclusão


Brasil, Angola, Moçambique...

Rubim, no norte do Brasil, acolheu-o entre 75 e 77. Este grande país latino-americano o voltaria a acolher de 87-89 e em 1993, quando estudou e trabalhou em S. Paulo. Mas o seu grande continente seria a África. Angola acolheu-o de 1982 a 1987 e de 1994 a 1997, quando dedicou a sua vida á missão em Luanda, sempre em tempo de cruel guerra civil, quando a capital era o último refúgio para quantos conseguiam fugir do interior do país que estava a ferro e fogo.

O apelo de Moçambique chegou aos Superiores dos Verbitas que decidiram fundar uma Comunidade em Monapo (no corredor Nampula – Nacala) e eis que o P. Manuel Abreu é convocado para a primeira equipa missionária. Para lá parte em 1997. Em 2002 desceu para Maputo onde trabalhou até 2008, ano que marca a sua saída de África, ao fim de uns longos e felizes 33 anos de intensa Missão.

África, terra de sorrisos...

A África é fantástica no acolhimento e na capacidade de conquistar corações: ‘Trago de África asaudação efusiva em gesto e grito e sorriso; sorrisos incomparáveis, lindos alegres e simples. Trago na memória bebés de peito que ainda não falam, mas no colo da mãe já levantam a mãozinha para saudar. A alegria apesar do sofrimento, a simplicidade, a procura do Evangelho, a saudação, acolhimento dos africanos que conheci nas comunidades e nos caminhos, é algo divino. Te olham nos olhos, te falam e se ofendem se te ausentas sem dizer nada. E quando voltas depois de uma ausência, te dizem bem vindo’.

Difícil despedida...

Confessa que foi muito difícil o regresso a Portugal: ‘Quando comecei a vislumbrar que os meus anos em África poderiam estar a chegar ao fim, senti um peso aflitivo, como quem deixa o ambiente de vida identificada e feliz. Tentando agarrar as pontas dos 33 anos desde a primeira chegada a África, e sabendo que a maior parte dos anos foram vividos no meio da guerra e miséria, não duvido que é Dom de Deus e carinho do povo, eu ficar a gostar tanto da África, da Igreja em África’.

Conclui: ‘No último domingo, como residente em África, à comunidade paroquial de Santo António que para mim representava todas as comunidades dos 33 anos, eu disse: vou ter saudades dos vossos olhos que me olham e dos vossos ouvidos que estão atentos para procurar ouvir a Palavra de Deus; o vosso carinho e lembrança são para mim a força de Deus que levo para continuar a Missão’.

Missão em Portugal...

Regressou á Cidade-Berço onde esteve apenas um ano. Acaba de ser chamado a Lisboa onde anima a Comunidade de Formação de futuros Verbitas, trabalha com os Leigos ligados á família do Verbo Divino e é membro do Sector de animação Missionária do Patriarcado de Lisboa.

Texto: Tony Neves iN Jornal Voz Verdade - Missão

Foto: DR

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

P. MANUEL ABREU, MISSIONÁRIO DO VERBO DIVINO – MISSÃO VERBITA EM TRÊS CONTINENTES


‘Cidadão do mundo’, iniciador de novos projectos missionários, traz o sorriso da África no coração. Por lá andou 33 anos, aguentando a guerra de Angola e o tempo de reconstrução de Moçambique. Conclui que, em África, vale a pena ser missionário quase só para passar e saudar. Agora, a Missão é em Lisboa.

De Vila Verde a cidadão do mundo...

O P. Manuel Abreu, Verbita, é cidadão do mundo. Conta: ‘Todo o ser humano é fruto de várias culturas. E quanto mais mistura bem relacionada, mais humanos nos tornamos. Considero-me um cidadão missionário lusanbrasmo (português-angolano-brasileiro moçambicano)’.

Nasceu em Vila Verde (Braga) e cedo entrou para os Missionários do Verbo Divino (SVD) que tinham Seminário em Guimarães. Depois do Noviciado, professou em Fátima onde seria também Ordenado Padre em 1967.

Apostou forte na formação. Após estudos iniciais em Portugal, formou-se em Teologia na Alemanha. Com o andar dos tempos, aprofundou a formação em Espiritualidade (na Colômbia, no Equador e na Alemanha) e fez um Mestrado em Estudos Bíblicos, na Universidade de S. Paulo.

‘Batedor’ da Congregação...

Tem o perfil de ‘batedor’, pois a Congregação o escolheu e enviou a abrir comunidades: ‘Tive a graça de estar no começo de trabalhos novos SVD (Angola, Brasil norte, Moçambique) ‘. Bateu três continentes, tudo em nome do anúncio do Evangelho. O seu percurso missionário fala por si: começou em Guimarães (1969). Dali seguiu para Fátima (1970-75). Saiu de Portugal em 1975, para Angola, sendo colocado em Caungula, Angola. Sofreu muito à chegada a este novo país, quando quase todos partiam e o ambiente era hostil para os europeus. Ouviu alguém gritar-lhe: “vai embora, vai embora na tua terra”. Mas, com o andar dos tempos, sempre se sentiu em casa e deu para perceber o alcance desta recepção pouco hospitaleira: ‘Essas palavras duras, compreensíveis após 500 anos de colonialismo, foram totalmente superadas e transformadas nos anos seguintes’.

(CONTINUA NO PRÓXIMO POST …)

Texto: Tony Neves iN Jornal Voz Verdade - Missão

Foto: DR

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

PAULA SILVESTRE, PROFESSORA NO CADAVAL: MISSÃO DO OESTE A CABO VERDE - Conclusão


Foi em 2008 que achou reunidas as condições para partir. Os sucessivos apelos do Papa à Missão não a deixaram indiferente. Entrou no Voluntariado Missionário e fez a Formação coordenada pela Fundação Evangelização e Culturas. Participou nos Encontros e no Retiro do Voluntariado. Na hora de decidir, a proposta da Calheta de S. Miguel Arcanjo, na Ilha de Santiago, foi a vencedora.

Espiritanos da Calheta

A Paula viajou para a Praia acompanhada de dois jovens padres Espiritanos: o P. Nuno e o P. Fernando. O P. Nuno, há 12 anos na Calheta, apresenta a Comunidade com quem a Paula vai partilhar a vida e a Missão: “Somos uma comunidade na ‘moda’, pois somos e vivemos, não só internacional e culturalmente na diversidade, mas também na diferença geracional. Dois portugueses, um angolano e um congolês. O mais velho, o nosso P. Ferreira da Silva, com a sua bonita idade de 80 anos, muitos deles passados em Angola e outros tantos aqui em Cabo Verde; o P. Nuno Miguel, com quase 12 anos de missão, sempre na Calheta; o P. Alfredo, angolano, ainda nos seus primeiros anos de sacerdócio missionário e o Cristophe, congolês, em estágio missionário.

O mundo jovem e a Educação

O secretariado paroquial da juventude tem realizado várias actividades: dias paroquiais da juventude, marchas jovens, acções de formação, campo de férias, acampamentos, intercâmbios juvenis, momentos de oração, caminhadas de sensibilização.

É a paróquia de todo o Cabo Verde que tem dado mais vocações sacerdotais e religiosas. Já conta com 8 sacerdotes naturais, entre diocesanos e espiritanos e muitas irmãs religiosas.

Da missão espiritana faz parte também a Escola Padre Moniz, sendo responsabilidade todo o seu funcionamento. “Escola fundada por um Espiritano e que agora nos compete assegurar e manter vivo este projecto. Com 250 alunos, desde o 7º ao 12º anos, apoiamos alunos desfavorecidos e fora do sistema educativo, permitindo assim, a progressão nos seus estudos”.

A Paula já aterrou em Cabo Verde onde a Missão tomará conta durante um ano. No aeroporto deixou claro: “Eu não vou ser mais missionária em Cabo Verde do que sou aqui”.

Texto e foto: Tony Neve iN Jornal Verdade - Missão

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

PAULA SILVESTRE, PROFESSORA NO CADAVAL: MISSÃO DO OESTE A CABO VERDE


Sempre quis partir, mas a Missão foi acontecendo cá dentro, entre Mafra e o Cadaval. Empenhou-se na Pastoral Juvenil. É professora. Pediu agora uma licença sem vencimento e partiu, domingo passado, para Cabo Verde por um ano. Lembrou no aeroporto: “Não serei mais missionária em Cabo Verde do que sou aqui”.

Queria partir...

O desafio a partir em Missão já vinha da juventude. E, verdade seja dita, é missionária aqui desde tenra idade. Aos 13 anos, já era catequista em Mafra. Na Universidade foi membro activo do Movimento Católico de Estudantes, tendo como Assistente o então P. Manuel Clemente, hoje Bispo do Porto. Com o andar dos tempos, foi assumindo novas responsabilidades pastorais, na coordenação da preparação de grupos para o Crisma e até na Catequese de Adultos.

O fim dos anos 80 marcou-a pela intervenção na Pastoral Juvenil como membro do Secretariado Diocesano (SDPJ). Guarda com especial ternura a recordação das preparações e da participação nas Jornadas Mundiais da Juventude em Santiago de Compostela (1989) e na Polónia (1992).

A Missão de ensinar...

Trabalhar com jovens mantém-se como o grande desafio da sua vida, pois decidiu seguir o caminho da docência. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas – Estudos Portugueses e Franceses, em 1989, e a sua vida mudou. Depois da passagem rápida por duas Escolas, viria a montar a sua tenda na Escola Secundária do Cadaval. O calendário apontava o ano de 1992 e, até hoje, esta tem sido a sua grande terra de Missão. Passou a integrar o dinamismo pastoral da Paróquia de S. Tomé de Lamas onde a sua disponibilidade é total: a preparação de grupos para a celebração do Crisma, o Ministério Extraordinário da Eucaristia e tudo o mais que seja preciso fazer na comunidade. Desde 2005, Ano da Eucaristia, coordena um tempo de oração Semanal pelas Vocações e santificação dos Sacerdotes.

(CONTINUA NO PRÓXIMO POST…)

Texto e Foto: Tony Neves iN Jornal Voz Verdade - Missão

terça-feira, 2 de novembro de 2010

DIOCESE PORTALEGRE-CASTELO BRANCO VIVE A MISSÃO


… a Diocese seja uma verdadeira escola e casa da comunhão, toda ela missionária e de rosto materno.” (D. Antonino, a 12 de Outubro de 2008, dia da tomada de posse)


Desde que chegou à Diocese de Portalegre-Castelo Branco, D. Antonino, tem procurado pôr em prática uma das passagens mais emblemáticas da sua homilia, quando assumiu o múnus pastoral, em Outubro de 2008.


Em Março seguinte, fez a nomeação do Secretariado Diocesano das Missões, composto por dois sacerdotes, uma religiosa, um casal e uma jovem. Conhecer a realidade e descobrir metas, fazer propostas, criar a consciência missionária e promover dinâmicas para um empenho das gentes e das estruturas, foram passos dados desde cedo. Contactar com outros que já tinham partido à descoberta (secretariados diocesanos, grupos missionários, jornada nacional) foi um outro passo necessário e encorajador.


Começamos por fazer um levantamento das congregações missionárias (masculinas e femininas) que trabalham na Diocese, uma busca das povoações que viveram a Missão Popular (33 paróquias, com perto de 400 comunidades) e das acções missionárias, promovidas por grupos de jovens, durante as férias de verão.


A primeira acção mais visível aconteceu com a realização da 1ª Jornada Missionária, em Abrantes, em Outubro de 2009. Acorreu muita gente e a dinamização contou com grupos missionários (JSF, Ondjoyetu, JMV, Caminhantes da Paz) e com o P. Tony Neves (Missão Ad gentes) e o P. Álvaro Cunha (Missão Popular). Foi um tomar o pulso à capacidade de mobilização e resposta.


A partir da mensagem do Papa para o dia das Comunicações Sociais “O sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos media ao serviço da Palavra”, em que lança um desafio e um apelo para que as novas vias de comunicação abertas pelas conquistas tecnológicas se tornem instrumentos da Palavra, é criada a página “Secretariado Diocesano das Missões”, com o endereço http://sdmissoesportalegrecastelobranco.pt.vu, um espaço de informação, formação e cruzamento de notícias, da diocese, dos movimentos e grupos missionários, onde se podem encontrar acontecimentos, mensagens, propostas.


A proximidade com o clero local, com secretariados e obras, a entrega atempada e abundante do material próprio do Dia das Missões, tem ajudado a uma partilha maior do âmbito da acção do Secretariado.


O surgir da Carta dos Bispos “Para um rosto missionário da Igreja, em Portugal” motivou já a proposta de um tempo de formação para os Sacerdotes, aquando da Semana de Formação, em Janeiro próximo. A formação do Grupo Missionário Diocesano está a dar os primeiros passos e será a nova aposta.

No sábado, 23 de Outubro, aconteceu a 2ª Jornada Missionária, em Alcains. Foi um momento forte, vivido por grandes e pequenos, em vários ateliers e tempos de formação. Eram mais de 700 participantes. Os adultos trabalharam a Carta dos Bispos; os mais novos, figuras e modelos de missionários e o desafio sempre novo: “Ide e anunciai!”.


Algo se fez, mas muito mais há a fazer. A Missão não se esgota: é sempre nova e exigente. A seara é imensa: Urge abrir horizontes, meter pés ao caminho, desbravar terrenos e continuar a semear. É essa a nossa tarefa, é esta a nossa aposta.


P. Agostinho Sousa – Director Diocesano das OMP

Foto: DR

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

REDESCOBRIR A MISSÃO (Conclusão)


AE - Quais são os âmbitos e os protagonistas desta “Nova Evangelização”.

AC - O assunto é de fundo. Evangelizar não pode ser um luxo de alguns. Tem de ser normalidade para todos. É preciso tomar consciência de que é toda a Igreja que é missionária, e que, portanto, ser cristão implica necessariamente ser missionário. Que o cristão não necessita de outra vocação para ser missionário: basta a vocação que tem. Que «cristão» e «missionário» não identificam duas figuras distintas nem duas vocações distintas, mas são qualificações incindíveis do discípulo de Jesus. Que ninguém pode pensar que se pode ser, em primeiro lugar, cristão, e depois, se se sentir chamado e se quiser, vir também a ser missionário. Para o cristão, ser missionário é a sua maneira de ser, a sua identidade, a sua graça, é uma necessidade, é de fundo e não um adereço facultativo. A sua referência permanente é Jesus Cristo, e o seu horizonte são todos os corações.

Se é assim, então, como já acima referi, já não basta converter ou reconverter as estruturas pastorais de que dispomos. É mesmo necessário e preliminar que comecemos por nos convertermos nós ao estilo de Jesus, ao como de Jesus. Se não voltarmos a ser pobres, simples, humildes, despojados e felizes como Jesus e os seus Apóstolos e discípulos directos, não seremos credíveis. É neste ponto preciso que tem fracassado a chamada “Nova Evangelização”, de que já se vem falando há mais de 25 anos.

O Papa Bento XVI, posto perante a crescente descristianização de muitas das Igrejas de antiga tradição cristã, anunciou na Homilia das I Vésperas da Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, Celebradas na Basílica de São Paulo Fora de Muros, na tarde de 28 de Junho de 2010, a criação do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, e, em 30 de Junho de 2010, confiou a sua Presidência ao Senhor Arcebispo Salvatore Fisichella. Na Homilia acima referida, Bento XVI apontou como tarefa fundamental do Novo Conselho Pontifício «Promover uma renovada evangelização nos países onde já foi feito o primeiro anúncio da fé e estão presentes Igrejas de antiga fundação, mas que estão a viver uma progressiva secularização da sociedade e uma espécie de “eclipse do sentido de Deus”, que constitui um desafio a encontrar meios adequados para repropor a verdade perene do Evangelho de Cristo». Todos esperamos que esta iniciativa seja uma oportunidade ganha. Pessoalmente espero que não enveredemos apenas por reformas técnicas e iniciativas exteriores, mas que se aponte verdadeiramente ao essencial. E o essencial é a conversão pessoal, uma vida pobre, desprendida, simples e feliz, com Jesus, como Jesus, ao estilo de Jesus e dos seus Apóstolos e Discípulos directos. O modo contará mais do que a técnica e o conteúdo. E é evidente, impõe-se, dadas as circunstâncias, que se crie uma verdadeira rede de evangelizadores evangelizados, que envolva a Igreja inteira: Bispos, padres e fiéis leigos. E estes últimos terão certamente um papel determinante neste belo trabalho de amor.

AE - Como devem ser lidas as novas modalidades de missão, como o voluntariado missionário, mais limitadas no tempo?

AC - Eu leio-as como verdadeiros dons de Deus à sua Igreja. Já se sabe que esta rede de juventude que estará em contacto com mundos e modos novos de viver a vida e a fé, não irá, em primeiro lugar, ensinar ou fazer muita coisa, dada a escassez de tempo, ainda que seja muita a vontade. Irá sobretudo ser afectada por situações de pobreza e de miséria impensáveis. Mas também de simplicidade, fé verdadeira, e de alegria que vem não se sabe de onde. Irão contactar com o milagre! Irão ser contactados por Deus! É aqui que pode começar uma maravilha que ainda não tinham descoberto, talvez a pérola escondida e encontrada do Evangelho, que tem marcado a vida de muitos e que continuará seguramente a marcar a vida de muitos outros! A vida de muitos destes jovens nunca mais será como dantes. Demos graças a Deus por estas oportunidades de graça que concede à sua Igreja.

Texto: Agência Ecclesia

Foto: JCF

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

REDESCOBRIR A MISSÃO (III Parte)


Novos campos para a evangelização

AE - Como conciliar os novos campos de missão com a tradicional dinâmica de partida rumo a outros países, para anunciar o Evangelho a quem nunca o escutou?

AC - Se o mandato de evangelizar todas as pessoas constitui a missão essencial de toda a Igreja, então a missão tem de ser o horizonte permanente e o paradigma por excelência de toda a dinâmica e empenhamento pastoral, enervando os nossos programas pastorais. E o partir em missão, numa Igreja local que se assume como sujeito primeiro da missão, permanece como paradigma do compromisso missionário da Igreja, que assim vive e manifesta a sua solicitude por todas as Igrejas. Ao contrário daquilo que os pressupostos que parecem presidir à pergunta possam dar a entender, a missão ad gentes não empobrece a Igreja local, mas «renova-a, revigora a sua fé e identidade, dá-lhe novo entusiasmo e novas motivações. A fé fortalece-se, dando-a», de acordo com as palavras luminosas de João Paulo II, na sua Carta Apostólica Redemptoris Missio (7 de Dezembro de 1990), n.º 2. É outra vez o estilo que é decisivo. A missão ad gentes não é tanto uma maneira de demarcar espaços a que haja que levar o primeiro anúncio do Evangelho, mas é mais o modo feliz, ousado, pobre, despojado e dedicado de o cristão sair de si para levar Cristo ao coração de cada ser humano, seja quem for, seja onde for. É este estilo, esta maneira de ser, que deve informar cada cristão e todas as comunidades cristãs.

As consequências práticas para a vida eclesial e paroquial são profundas e intensas, requerendo uma nova sensibilidade evangelizadora obrigatória e não arbitrária. Antecipando-se a previsíveis dificuldades e reservas, alertou bem o Papa João Paulo II que nenhuma Igreja particular, de antiga ou de recente tradição, «se deve fechar em si própria», adiantando logo que «a tendência para se fechar em si próprio pode ser forte». E, no que se refere às Igrejas antigas, advertiu que, «preocupadas com a nova evangelização, podem ser levadas a pensar que agora devem realizar a missão em casa, correndo assim o risco de refrear o ímpeto para o mundo não cristão, sendo pouca a vontade de dar vocações aos Institutos Missionários». A estas Igrejas, o Papa lembra que «é dando generosamente que se recebe» (Redemptoris Missio, n.º 85). E a Congregação para o Clero, na sua Instrução Postquam Apostoli (25 de Março de 1980), n.º 14, já tinha advertido que «a Igreja particular não pode fechar-se em si mesma, mas, como parte viva da Igreja Universal, deve abrir-se às necessidades das outras Igrejas. Portanto, a sua participação na missão evangelizadora universal não é deixada ao seu arbítrio, ainda que generoso, mas deve considerar-se como uma lei fundamental de vida; diminuiria, de facto, a sua energia vital se, concentrando-se unicamente sobre os próprios problemas, se fechasse às necessidades das outras Igrejas». E o Papa Bento XVI acaba de nos advertir, na Homilia da Santa Missa celebrada na Praça dos Aliados (Porto), em 14 de Maio de 2010, que «nada nos dispensa de ir ao encontro dos outros», pelo que «temos de vencer a tentação de nos limitarmos ao que ainda temos, ou julgamos ter, de nosso e seguro», lembrando-nos ainda que isso «seria morrer a prazo, enquanto presença da Igreja no mundo, que, aliás, só pode ser missionária».

Portanto, nenhuma dificuldade de conciliação. Antes, a missão ad gentes potencia e renova a Igreja inteira em todos os aspectos.

(CONTINUA NO PRÓXIMO POST…)

Texto: Agência Ecclesia

Foto: JCF

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

REDESCOBRIR A MISSÃO (II Parte)

AE - Que dinâmica se pretende gerar com o conceito de Centro Missionário Diocesano?

AC - Pretende-se ajudar a tornar normal aquilo que tem sido considerado excepcional. Normal é anunciar o Evangelho ao estilo de Jesus. Normal não é, como se tem pensado e ainda se continua a pensar, formar os cristãos numa certa doutrina e para uma certa prática da vida cristã, verificada pela frequência dos sacramentos, mormente pela chamada «prática dominical». Note-se que se tem feito e se está a pensar continuar a fazer deste ponto o barómetro da vida cristã e católica no nosso país. Na verdade, a nossa identidade, aquilo que nos deve identificar, a nossa graça, aquilo que é sempre primeiro e que nunca pode ser segundo é anunciar o Evangelho ao estilo Jesus e no seguimento de Jesus. Isto supõe uma reviravolta no itinerário de toda a formação cristã, que deve ser missionária desde o início, e não apenas nas suas últimas etapas, em jeito de conclusão. Neste sentido, na sua Mensagem para o 83.º Dia Missionário Mundial (18 de Outubro de 2009), o Papa Bento XVI lembrou «às Igrejas antigas como às de recente fundação» que «a missão ad gentes deve ser a prioridade dos seus planos pastorais», como já tinha lembrado, na Mensagem para o 82.º Dia Missionário Mundial (19 de Outubro de 2008), citando o Decreto Ad Gentes, n.º 38, que o «seu compromisso [dos Bispos] consiste em tornar missionária toda a comunidade diocesana».

Se a Igreja particular, com o seu Bispo à cabeça, é o sujeito primeiro da missão, ao Centro Missionário Diocesano, instituído pelo Bispo Diocesano, competirá ajudar o Bispo a dinamizar e sensibilizar missionariamente toda a Diocese, de modo a manter alta a consciência missionária e a efectiva capacidade evangelizadora de toda a comunidade diocesana. As competências deste Centro derivam, portanto, das atribuições que lhe forem confiadas pelo Bispo. Mas é fácil ver que a sua influência se pode fazer sentir em todos os âmbitos da formação, acolhimento, partilha e entreajuda, comunhão e comunicação entre as Igrejas, ajudar a dar a conhecer e a manter vivos no terreno o espírito e a acção das Obras Missionárias Pontifícias, promover a celebração e vivência do Dia Missionário Mundial e do Dia da Infância Missionária, bem como do Outubro Missionário, manter vivos os Grupos Missionários Paroquiais ou Inter-Paroquiais, dar a conhecer e sensibilizar à participação em iniciativas de formação missionária já existentes a nível nacional, tais como o Curso de Missiologia e as Jornadas Missionárias. Deste Centro devem fazer parte membros dos Institutos Missionários e Religiosos presentes no espaço diocesano, mas também Padres e fiéis leigos diocesanos.

AE - Esta iniciativa já está lançada na Arquidiocese de Braga. Como tem decorrido esta experiência?

AC - É verdade que a iniciativa já está lançada em Braga. Houve um primeiro encontro do Senhor Arcebispo com o Delegado Arquidiocesano das OMP e representantes dos Institutos Missionários, em que ficou decidido avançar para a formação do Centro Missionário Arquidiocesano de Braga. Seguiu-se depois outro encontro mais alargado com a minha presença em representação do Senhor Arcebispo, em que se definiu a forma de composição deste Centro, com pessoas a indicar pelos Institutos Missionários e pela Arquidiocese. A próxima reunião será para confirmar a constituição do Centro e definir os principais caminhos a trilhar. Só a partir de então, o Centro assumirá funções efectivas.

(CONTINUA NO PRÓXIMO POST…)

Texto: Agência Ecclesia

Foto: JCF

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

REDESCOBRIR A MISSÃO


D. António Couto, presidente da Comissão Episcopal para as Missões, aborda a actualidade missionária em Portugal, destacando a dinâmica que se quer imprimir a partir da carta pastoral «Para um rosto missionário da Igreja em Portugal».

Missão ad gentes não é tanto uma maneira de demarcar espaços a que haja que levar o primeiro anúncio do Evangelho, mas é mais o modo feliz, ousado, pobre, despojado e dedicado de o cristão sair de si para levar Cristo ao coração de cada ser humano, seja quem for, seja onde for.

É assim que D. António Couto, presidente da Comissão Episcopal para as Missões, aborda a actualidade missionária em Portugal, destacando a dinâmica que se quer imprimir a partir da carta pastoral «Para um rosto missionário da Igreja em Portugal».

Agência ECCLESIA (AE) - Num contexto de progressiva secularização, recentemente recordada pela CEP e pelo próprio Papa, agudiza-se a necessidade de uma “primeira evangelização” em Portugal?

D. António Couto (AC)- A evangelização é sempre “primeira”. E só sendo “primeira”, é verdadeira. E “primeira” significa aquela que Jesus mandou fazer aos seus Apóstolos e discípulos, ao estilo de Jesus Bom Pastor, pobre e humilde, sem ouro, nem prata, nem cobre, nem duas túnicas, totalmente devotado ao Pai e às suas ovelhas, todas suas, quer as que estão perto quer as que estão longe ou andam perdidas, sem olhar às etiquetas do mundo de então. É esta Evangelização que a Igreja tem sido sempre chamada a fazer, ao estilo de Jesus, e não pode deixar de fazer, sob pena de se desdizer, perdendo a sua identidade. Disse-o bem o Papa Paulo VI na Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, de 8 de Dezembro de 1975, n.º 14: «Anunciar o Evangelho constitui, de facto, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua identidade mais profunda. A Igreja existe para Evangelizar». A recente Carta Pastoral da CEP leva o título significativo de «Como Eu vos fiz, fazei vós também». Aquele como inicial é determinante para nos agrafar, não só ao fazer de Jesus, mas ao modo como Ele faz. É claro. Já não basta converter ou reconverter estruturas pastorais. É mesmo necessário e preliminar que comecemos por nos convertermos nós ao estilo de Jesus, ao como fazer de Jesus. Portanto, para um cristão e para a Igreja, a evangelização tem de ser sempre “primeira” em qualquer tempo e em qualquer lugar. Nada a pode substituir e nenhuma outra tarefa se lhe pode antepor. Ela é a nossa graça, a nossa maneira de ser.

A forma como a pergunta está formulada pode deixar supor que há outras maneiras de se ser cristão e de viver em Igreja. E que só agora, nesta «noite do mundo», em que vemos o chão a fugir-nos debaixo dos pés em Portugal e em toda a Europa, é que se torna necessário lançar mãos da “primeira evangelização”. Esta suposição pode levar a pensar que a referida “primeira evangelização” é uma coisa excepcional a usar só em situações excepcionais. Raciocínio viciado. A “primeira evangelização” ou a “evangelização primeira” ou “primeiro” é a normal, quotidiana maneira de ser da Igreja e do discípulo de Jesus. O tempo em que vamos requer lucidez e determinação. Reconhecer que não temos cumprido a nossa missão de evangelizar como Jesus nos mandou é um dado que se nos impõe. Bater com a mão no peito por nos termos acomodado e afastado do estilo de Jesus é decisivo. Pusemos, entretanto, muitas coisas entre nós e Jesus. Mas uma só coisa é necessária! E não há “evangelização requentada”!

(CONTINUA NO PRÓXIMO POST…)

Texto e foto: Agência Ecclesia