sexta-feira, 30 de outubro de 2009

DECÁLOGO PARA LER A BÍBLIA


1. Nunca achar que somos os primeiros que leram a Sagrada Escritura. Muitos, muitíssiomos, através dos séculos, a leram, meditaram, viveram e transmitiram. Os melhores intérpretes da Bíblia são os santos.

2. A escritura é o livro da comunidade eclesial. A nossa leitura, ainda que seja em solidão, jamais poderá ser solitária. Para lê-la com proveito, é preciso inserir-se na grande corrente eclesial que é conduzida e guiada pelo Espírito Santo.

3. A Bíblia é “Alguém”. Por isso, é lida e celebrada ao mesmo tempo. A melhor leitura da Bíblia é a que se faz na liturgia.

4. O centro da Sagrada Escritura é Cristo; por isso, tudo deve ser lido sob o olhar de Cristo e buscando nele o seu cumprimento. Cristo é a chave interpretativa da Sagrada Escritura.

5. Nunca esquecer de que na Bíblia encontramos factos e frases, obras e palavras intimamente unidos ao outros; as palavras anunciam e iluminam os factos, e os factos realizam e confirmam as palavras.

6. Uma maneira prática e proveitosa de ler a Escritura é começar com os santos Evangelhos, continuar com os Actos dos Apóstolos e Cartas e ir misturando com algum livro do Antigo Testamento: Génises, Êxodo, Juízes, Samuel, ect. Não querer ler o livro do Levítico de uma só vez, por exemplo. Os salmos devem ser o livro de oração dos grupos bíblicos. Os profetas são a “alma” do Antigo Testamento: é preciso dedicar-lhes um estudo especial.

7. A Bíblia é conquistada como a cidade de Jericó: “dando voltas”. Por isso, é bom ler os lugares paralelos. É um método interessante e proveitoso. Um texto esclarece o outro, segundo o que diz Santo Agostinho: “ o Antigo Testamento fica patente no Novo e o Novo está latente no Antigo”.

8. A Bíblia deve ser lída e meditada com o mesmo espírito com que foi escrita. O Espírito Santo é o principal autor e intérprete. É preciso invocá-lo sempre antes de começar a lê-la e, no final, agradecer-lhe.

9. A Bíblia nunca deve ser utilizada para criticar e condenar os demais.

10. Todo o texto Bíblico tem um contexto histórico em que se originou e um contexto literário em que foi escrito. Um texto Bíblico fora do seu contexto histórico e literário é um pretexto para manipular a Palavra de Deus. Isso é tomar o nome de Deus em vão.

D. Mário, Bispo de Querétaro - Biblista – México

Foto : DR

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