terça-feira, 5 de abril de 2011

MATILDE TROCADO CASTRO, AUTORA DO ‘WOJTYLA’: MISSÃO DE TIMOR AOS PALCOS DE LISBOA E PORTO

Colocou João Paulo II nas bocas do mundo ao realizar o musical ‘Wojtyla’ que encheu grandes salas de Lisboa e Porto. Mulher de Comunicação, tem uma enorme paixão pelas Artes de Palco. Apaixonada pela Missão, esteve um ano em Timor com o Duarte, seu marido. Depois do sucesso de ‘Wojtyla’, decidiu que a sua vida passará pelo Teatro, embora o pai continue a dizer que ela passou ao lado de uma grande carreira como Advogada...

Mulher de Comunicação...

A Matilde teve uma infância “com três irmãos, muitos primos e muito espaço na rua para brincar”. Cresceu em família, estudou nas Salesianas e nos Salesianos e foi aí que ganhou gosto pelas artes de palco. Além das aulas de dança que tinha, conseguiu convencer os pais a frequentar uma escola de artes performativas em Nova Iorque, onde desenvolveu o gosto pelo Teatro.

No 12º ano, à procura de dinheiro para a viagem de finalistas, construiu, com uma amiga, o seu primeiro espectáculo: ‘A magia do Cinema’. Foi a primeira vez que trabalhou com o Hugo Reis, director musical do ‘Wojtyla’.

Estudou Comunicação Cultural na Católica e acha que escolheu bem: “A minha área é Comunicação, é afinal isso que procuro fazer com o teatro: comunicar”.

Até Roma, com João Paulo II...

Foi monitora de campos de férias, com o ‘Milonga’ – um campo de férias da Paróquia do Estoril, uma experiência marcante. Foi neste projecto que encontrou o P. Ricardo Neves, “talvez a peça mais fundamental da minha vida de fé. É o meu director espiritual”. Fazia então parte do coro da Paróquia do Estoril e de uma equipa de Jovens de Nossa Senhora.

Em 2002, arriscou fazer um musical: ‘Broadway’. “Foi uma experiência fantástica e fez-me perceber que, em relação às artes performativas, o que gosto mesmo de fazer é encenar. Na altura, pensei se me deveria dedicar a esta área, mas não me levei muito a sério”.

Depois, seguiu para Roma, em Erasmus. Muitas vezes viu João Paulo II e participou na oração do Angelus. De regresso a Portugal, acabou o curso e começou a trabalhar na rádio, na publicidade e marketing, na produção de eventos empresariais.

(CONTINUA NO PRÓXIMO POST …)

Texto: Tony Neves iN Jornal Voz Verdade – Perfil

Foto: DR

quarta-feira, 30 de março de 2011

MANUEL CHILINGUTILA, MISSIONÁRIO ANGOLANO NA EUROPA – DE ANGOA A TURIM POR BEJA E LISBOA - Conclusão


De Angola a Portugal

A nomeação missionária do P. Chilingutila foi para...Portugal, país que pisou, pela primeira vez, a 4 de Fevereiro de 2008, dia feriado nacional em Angola que deu o nome ao Aeroporto Internacional de Luanda. Acompanhei-o nesta viagem, pois tinha ido orientar o Retiro e fazer uma Conferência no Capítulo Provincial dos Espiritanos de Angola. Senti nele a ansiedade típica de quem muda de mundo, habituado desde sempre a viver em contexto de guerra e sem qualquer noção da Europa que o esperava. O calor abafado de Luanda contrastava com o frio e a chuva que nos esperava em Lisboa. Foi o primeiro choque. Depois, pouco a pouco, foi-se habituando a esta terra e a esta Igreja onde viria a exercer o seu ministério como padre missionário.

De Castro Verde a Mértola

O Alentejo foi a sua primeira ‘terra de Missão’, indo montar a sua tenda em Castro Verde. Foi outro choque. Não imaginava que Portugal tivesse comunidades cristãs tão pequenas. Não lhe passava pela cabeça que, numa terra de missionários, houvesse povoações onde quase ninguém ia á Missa, onde Deus parecia não contar para nada. Mas gostou de estar com as pessoas, conversar com elas, acompanhá-las nas horas alegres e nas horas de sofrimento. Gostou do povo de Castro Verde que o acolheu bem. E quando estava a conhecer bem a realidade, quando já entrava na casa e na vida das pessoas, foi tempo de desarmar a tenda e partir outra vez. Por opção pastoral, os espiritanos deixaram Castro Verde e foram até Mértola, lá bem na raia de Espanha, para tomar conta de todo o município e suas comunidades. O P. Manuel sentiu que estava a recomeçar tudo outra vez, dois anos depois da sua chegada ao Alentejo. E lá partiu. Respondeu a novos desafios e arranjou novos amigos, sempre mais fora das paredes da Igreja do que dentro delas, quase sempre vazias.

Turim, com os Migrantes

Na Missão, como em tudo na vida, não fazemos o queremos nem o que programamos. Do Conselho Geral, de Roma, veio um apelo para que Portugal disponibilizasse um Padre para a nova comunidade a fundar em Turim, com o objectivo de acompanhar migrantes. Depois de alguma reflexão, o Conselho Provincial achou que o P. Chilingutila era quem reunia as melhores condições para responder a este apelo, bem na linha do carisma espiritano. Feito o convite, a resposta foi ‘sim’, como sempre na vida do P. Manuel.

Agora, em Lisboa, prepara-se para a nova Missão, estagiando no Centro Padre Alves Correia porque os migrantes, em Portugal como em Itália, sofrem dos mesmos males e precisam de apoios idênticos.

A Missão continua por terras de Itália.

Texto e Foto: Tony Neves iN Jornal Voz Verdade – Perfil

segunda-feira, 28 de março de 2011

MANUEL CHILINGUTILA, MISSIONÁRIO ANGOLANO NA EUROPA – DE ANGOA A TURIM POR BEJA E LISBOA



Angola faz 50 anos do início da Guerra Colonial e celebra 35 de Independência. Foi nesse ano de 1975 que, nas periferias do Huambo, nasceu o P. Manuel Chilingutila. Cresceu em tempo de guerra e viveu a alegria da paz em 2002, ano em que se fez Espiritano. Ordenado Padre, foi nomeado para Portugal onde esteve na origem das Comunidades de Castro Verde e Mértola. Acaba de ser nomeado para uma nova Missão entre os Migrantes das periferias de Turim.

Huambo, em tempo de guerra

Nasceu nas periferias pobres do Huambo a seis meses da independência, quando tudo fervia em Angola. Entrou no Seminário Espiritano em Malanje em 1991, durante um período de pausa breve na violenta guerra civil que arrasou Angola durante 27 anos. Com o recomeçar da guerra, após as eleições de Setembro de 1992, os Superiores mandaram os seminaristas para as famílias e o Manuel conseguiu, com dificuldade, regressar ao Huambo. Nos complicados tempos das ‘rusgas’ (captação á força dos jovens para serem militares nas frentes dos combates), ele lá foi conseguindo safar-se até que, em 1998, entrou no Seminário de Filosofia, no Huambo, reiniciando um caminho que só os combates fizeram adiar.

O Munhino, nas periferias da cidade do Lubango, acolheu-o no ano de Noviciado. Professou em 2002, fez a Teologia no Seminário Maior do Huambo e foi ordenado Diácono (2006) e, depois, Padre (2007), por D. José Queirós Alves. Ambas as celebrações aconteceram na Igreja da Tchiva, seu bairro natal, tão flagelado pela guerra, sobretudo nos anos1993 e 94 em que o Huambo foi arrasado.

(CONTINUA NO PRÓXIMO POST…)

Texto e Foto: Tony Neves iN Jornal Voz Verdade – Perfil

quarta-feira, 23 de março de 2011

LAURINDA ALVES, JORNALISTA, ESCRITORA, ACTIVISTA…. ACREDITAR SEMPRE QUE MELHOR É POSSÍVEL! - Conclusão

A RTP, o Martin e a XIS

Entrou na RTP em Abril de 1980. Veio uma década de alguma distância da Igreja. O filho Martin, (que acaba de publicar um livro de foto reportagem com o pai sobre África), nasceu a 10 de Setembro de 1991: “Foi o dia que marcou um antes e um depois na minha vida. Nesse mesmo ano, ganhei o meu primeiro prémio de jornalismo, do Clube de Jornalistas, com uma grande reportagem-documentário sobre a morte do General Humberto Delgado”.

Em 1999, criou a revista XIS, “uma revista em contra-corrente que inaugurou o conceito de jornalismo positivo”. Em 2000, recebeu uma condecoração do Presidente da República, Jorge Sampaio, atribuída pela defesa e debate público das questões da Educação.

Re-encontro com Deus...

A sua vida espiritual deu uma volta quando a Laurinda tinha 33 anos: “Comecei a fazer EE – Exercícios Espirituais – e estes retiros de silêncio marcaram uma reaproximação à Igreja e um novo aprofundamento das questões de fé”. Desde há 13 anos que pertence a um grupo de CVX.

Missão... com cidadania

É uma mulher de grandes causas, não tendo medo de dar a cara por elas. Vimo-la envolvida na defesa da vida e, mais tarde, a ser candidata independente ao Parlamento Europeu. “O que mais tem marcado a minha vida de missão é uma espécie de voluntariado/militância cívica que me faz percorrer o país para ir a escolas, associações, fundações e outras instituições como prisões e hospitais, entre outras, dar um contributo gratuito em áreas e matérias e largo espectro que vão da Educação ao Empreendedorismo; das questões de fé à sexualidade e afectos; da ética à comunicação... O facto de ter sido directora da ‘Pais & Filhos’ e de ter criado várias séries de TV sobre adolescência (‘Verdes Anos’ e ‘Primeiros Anos’), e posteriormente ter criado a XIS, fez com que tocasse realidades muito abrangentes”.

Faz voluntariado há muitos anos: “Primeiro na Acreditar; depois numa Unidade de Cuidados Paliativos e agora na Associação Salvador (deficientes) e na Reklusa (população reclusa)”.

É autora de obras de referência como ‘Xis ideias para pensar’, ‘Coisas da Vida’, ‘Atitude Xis’, ‘Um dia atrás do outro’, que a ‘Oficina do Livro’ publicou. Podemos acompanhar o que pensa, sente e faz, através do seu blog: http://laurindaalves.blogs.sapo.pt , onde partilha sobre ‘a substância da vida’.

Texto: Tony Neves iN Jornal Voz Verdade – Perfil

Foto: JCF

segunda-feira, 21 de março de 2011

LAURINDA ALVES, JORNALISTA, ESCRITORA, ACTIVISTA…. ACREDITAR SEMPRE QUE MELHOR É POSSÍVEL!


Jornalista desde os 18 anos, criou programas muito vistos sobre a adolescência, lançou a revista XIS, dedica-se a grandes causas como a defesa da vida ou a cidadania activa, através da política, da escrita, do voluntariado, da intervenção cívica. Faz ‘Exercícios Espirituais’, confia nas pessoas e acredita sempre que ‘melhor é possível!’.

A força da Família

Nasceu em Lisboa e recorda com ternura o nascimento da Catarina, doze anos depois, que veio aumentar para quatro o número de irmãos. Da infância, a Laurinda guarda a alegria de ter uma família grande e feliz com quem adorava passar férias em Aldeia Velha, a terra dos avós e pais.

Olha para os avós e pais como os grandes pilares da sua vida: “Devo-lhes a vida mas também o melhor do que trago em mim. Aprendi com eles a integridade, a rectidão, o rigor e a generosidade. E a alegria, mais a atitude positiva-construtiva que é uma herança deles”.

Na ‘Nova’ e na RTP

Estava o Curso de Comunicação Social a nascer na Universidade Nova quando Laurinda, aos 17 anos, percebeu o que queria ser quando fosse grande: jornalista! E, ao mesmo tempo que entrou na UNL concorreu, em 1979, para a RTP: entre 2 mil candidatos, acabou por ficar em 3º lugar ex-aequo com outra pessoa. O júri chegou ao fim e disse: muito bem, gostamos muito de si e está muito bem classificada, mas ... tem apenas 17 anos e, como somos uma Empresa Pública, não a podemos contratar! Eis senão quando, o presidente deste júri, com ar solene, declarou: ‘Como gostamos muito de si e acreditamos muito em si, vamos esperar que faça 18 anos!’ Foi uma dupla emoção: ‘Primeiro porque me senti vencida, logo a seguir porque me senti vencedora. Essa confiança radical e inaugural do júri fez toda a diferença e levou-me sempre a apostar nos outros, a confiar e a apoiar”.

(CONTINUA NO PRÓXIMO POST…)

Texto: Tony Neves iN Jornal Voz Verdade – Perfil

Foto: JCF

quarta-feira, 16 de março de 2011

TEODORO TAVARES, CSSP, BISPO AUXILIAR DE BELÉM-BRASIL: DE CABO VERDE, POR PORTUGAL ATÉ À AMAZÓNIA DO BRASIL - Conclusão


Amazónia, 1ª Missão...

A sua primeira nomeação missionária foi para a Amazónia, onde trabalhou na Prelazia do Tefé de 1995 a 2010. Iniciou a sua actividade apostólica em Caruari, seguindo depois para Alvarães e Uarini. Em 1998 foi nomeado Director do Centro Vocacional, no Seminário de Tefé, sendo vigário paroquial em Santa Teresa e, mais tarde, pároco, entre 2005 e 2007.

Em 2001 foi nomeado Vigário Geral da Prelazia, cargo que ocupou até 2010.

De Janeiro de 2001 a Dezembro de 2003 foi Capelão Militar e de 2007 a 2010 pároco da nova Paróquia de Bom Jesus, na cidade de Tefé. A nível da Prelazia foi, durante vários anos, o responsável pela Pastoral Vocacional e representante do Clero. No seu vasto curriculum missionário está bem vincada a sua ligação à Igreja local que serviu desde que foi ordenado Padre. Também a nível dos Espiritanos, exerceu diversas responsabilidades sendo, entre 2003 e 2010, o Superior Principal da Congregação do Espírito Santo em toda a Amazónia.

Um fim transformado em recomeço...

Com o fim do mandato de Superior dos Espiritanos, achou que se devia retirar um pouco e foi-lhe concedido, em 2010, um ano sabático que está a viver nos Estados Unidos, trabalhando na Paróquia Espiritana do Immaculate Heart of Mary, em Central Falls, diocese de Providence.

Ora, seria ali que o Papa Bento XVI o surpreendeu com o convite de ser Bispo Auxiliar de Belém. Ponderou, demorou a decidir mas, no fim do discernimento saiu o ‘sim’ que tem caracterizado toda a sua vida ao serviço da Missão da Igreja. A notícia foi divulgada a 16 de Fevereiro. Belém, além do mais, é um lugar simbólico para os Espiritanos pois foi a cidade onde eles iniciaram, em 1885, a sua Missão por terras do Brasil, na Amazónia. Belém, capital do Estado do Pará, é a maior cidade da linha do Equador, com cerca de dois milhões de habitantes, conhecida como a ‘Metrópole da Amazónia’. Os católicos constituem a maioria da população. Belém é conhecida no mundo inteiro pelo ‘Círio de Nazaré’, festa celebrada desde 1793 em honra de Nossa Senhora da Nazaré, que acontece sempre no 2º domingo de Outubro, reúne cerca de dois milhões de fiéis, sendo a maior festa cristã do país e a maior procissão católica do mundo.

Agora... Belém

É originário de Cabo Verde, tem nacionalidade portuguesa, estudou em Braga e Lisboa, é membro da Província Portuguesa dos Missionários do Espírito Santo, mas a Missão do P. Teodoro vai continuar por terras da Amazónia brasileira.

Texto: Tony Neves iN Jornal Voz da Verdade

Foto: DR

segunda-feira, 14 de março de 2011

TEODORO TAVARES, CSSP, BISPO AUXILIAR DE BELÉM-BRASIL: DE CABO VERDE, POR PORTUGAL ATÉ À AMAZÓNIA DO BRASIL

Nasceu em Cabo Verde, tem também cidadania portuguesa e é membro da Província Portuguesa dos Espiritanos. Estudou Teologia na Universidade Católica em Lisboa. Trabalhou sempre em Tefé, no coração verde da Amazónia. Acaba de ser nomeado por Bento XVI para ser Bispo Auxiliar de Belém, conhecida como a ‘Metrópole da Amazónia’. Estava de regresso a Portugal, mas a Igreja trocou-lhe as voltas e a geografia...

De Cabo Verde a Portugal

D. Teodoro Mendes Tavares nasceu na Calheta de S. Miguel Arcanjo, na Ilha de Santiago – Cabo Verde, a 7 de Janeiro de 1964. Frequentou o Seminário Diocesano na Praia até entrar nos Espiritanos. Veio, então, para Portugal onde fez o Noviciado e todos os Estudos de Teologia.

Professou no Seminário do Fraião – Braga em 1986 e fez a sua Profissão Perpétua em 1989 no Seminário da Torre d’Aguilha – Cascais. O seu Curso de Teologia foi realizado na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, onde se licenciou em 1992. Seguiu para a Irlanda onde fez uma Pós-Graduação sobre Desenvolvimento, em Dublin, e um Mestrado na área de ‘Justiça e Paz’, sobre Ecumenismo, no Trinity College. Entretanto adquiriu a cidadania portuguesa. Chegado o tempo das Ordenações, a de Diácono aconteceu, em 1992, na Sé de Viana do Castelo, presidida por D. Armindo Lopes Coelho, recentemente falecido. A Ordenação Presbiteral, no ano seguinte, seria na Paróquia onde nasceu e foi baptizado, a paróquia espiritana da Calheta de S. Miguel Arcanjo, situada entre a Praia e o Tarrafal. Presidiu à cerimónia D. Paulino Évora, Bispo de Cabo Verde.

(CONTINUA NO PRÓXIMO POST…)

Texto: Tony Neves iN Jornal Voz da Verdade

Foto: DR