sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

JOSÉ GASPAR, MISSIONÁRIO EM ANGOLA, PORTUGAL E... MISSÃO DE LISBOA Á AMAZÓNIA - Conclusão

Animação Missionária

Portugal voltou a chamá-lo e, em 1991, já estava no Seminário da Silva, em Barcelos, de novo envolvido na Formação e a acompanhar os núcleos da LIAM da diocese de Viana do Castelo. A doença grave que levaria para a Casa do Pai o P. Marinho Lemos foi a razão da nomeação do P. Gaspar para Lisboa, em 1999. Virou o século e o milénio como Animador Missionário. Percorreu, de lés a lés, as Paróquias de Lisboa, Santarém, Setúbal, Alentejo, Algarve e Açores, visitando os grupos da LIAM ou fazendo animação missionária juntamente com os membros dos outros Institutos Ad Gentes (ANIMAG).

Com o P. Alves Correia

Quem conhece o P. José Gaspar reconhece-lhe uma enorme sensibilidade à causa dos pobres. Pobre, simples e austero, é um dos incansáveis lutadores pela ‘Justiça e Paz’, sempre pronto a dar a cara pelas causas dos mais excluídos. Conta: ‘Envolvi-me na problemática das migrações no âmbito sobretudo do trabalho do Centro P. Alves Correia (CEPAC) de apoio a imigrantes, privilegiando os mais carenciados, que são os sem papéis. O P. Alves Correia (no busto da foto) foi e continua a ser uma figura inspiradora. Conheço-o pelo que dele se tem escrito, e pelo testemunho de pessoas que o conheceram. Pelo que dele referem vejo-o como uma pessoa que aliava bondade com frontalidade. Era bom, ajudava muita gente e de maneira discreta, lidava com o sofrimento dos pobres, analisava-o à luz do Evangelho e usava os seus dotes de bom escritor para denunciar as injustiças. Por isso foi também ele injustiçado e morreu no exílio; mas irradia luz e inspira-nos a estarmos com os que mais sofrem como sinais para eles do Deus-Amor’.

A caminho da Amazónia

Diriam que está na idade da reforma, mas o P. Gaspar tem a ousadia de começar uma nova Missão, atravessando o Atlântico rumo à Amazónia: ‘Encaro esta mudança com toda a naturalidade. Há mais de um ano que manifestei a minha disponibilidade para a missão ao longe. Confio em Deus e na oração de quantos estão comigo fazendo do longe perto’.

Texto: Tony Neves iN Jornal Voz Verdade - Perfil

Foto: Tony Neves

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

JOSÉ GASPAR, MISSIONÁRIO EM ANGOLA, PORTUGAL E... MISSÃO DE LISBOA Á AMAZÓNIA

Angola acolheu-o no tempo colonial e, depois, quando a guerra estava ao rubro. Anunciou o Evangelho, apoiou os pobres, formou seminaristas e leigos, escapou a uma emboscada. Em Portugal, dividiu a missão pela Formação, Animação Missionária e ‘Justiça e Paz’. Abriu, aos 63 anos, uma nova página do seu vasto curriculum missionário. A Amazónia recebeu-o esta semana, de braços abertos.

Angola, primeiro amor

Angola recebeu a generosidade e o fogo dos primeiros anos de Missionário Espiritano. Lá chegou em 1971: ’Conheci tempos de paz. Então, deixava a residência da Missão e ia, de aldeia em aldeia, visitar os cristãos. Dormia por lá, seroava à volta da fogueira, adormecia tranquilo e acordava com o despertar da natureza’.

Missão a norte

Chegou a Portugal em 1975. Dividiu a sua missão pela animação missionária e, sobretudo, pela formação de futuros padres, como director do Seminário Menor Espiritano em Viana do Castelo e do Seminário Maior de Filosofia em Braga. Com a paixão pela Missão que lhe ardia na alma, conseguiu libertar-se dos trabalhos aqui e voltou ao Huambo. Estávamos nos tempos quentes de 1986, com a guerra na máxima força.

Emboscada em Angola

A sua Missão passava muito pela formação, com uma aposta forte na Filosofia e Humanidades: ‘com a guerra civil já muito acesa, voltei para leccionar no Seminário Interdiocesano de Cristo Rei e colaborar na formação dos seminaristas espiritanos. Foram tempos muito difíceis; rezava para não deixar embotar a sensibilidade, tal o sofrimento à minha volta’.

Os riscos da missão em tempo de guerra podem ser bem maiores. Quem arrisca fazer-se à estrada, candidata-se a fazer a última viagem. Foi quase o que aconteceu naquele 25 de Agosto de 1988, data que o P. Gaspar não esquecerá nunca: ‘caí numa emboscada da Unita, a meio caminho de Benguela para o Huambo. Foi terrível, acima de tudo porque houve 10 mortes de pessoas indefesas. Não sei como saí ileso, com o carro todo cravado de balas e de estilhaços de granadas. Na minha oração perguntava a Deus porquê eu e não os outros. Acho que tenho uma dívida enorme a saldar, a da minha vida e também a de não ter ficado traumatizado, para além da riqueza de tantas pessoas e coisas boas, ou não fossem as flores mais belas as que vêm rodeadas de espinhos’.

(CONTINUA NO PRÓXIMO POST...)

Texto: Tony Neves iN Jornal Voz Verdade - Perfil

Foto: Tony Neves

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

NÉLIO PITA, VICENTINO, PÁROCO DE S. TOMÁS DE AQUINO – MISSÃO NA COMUNIDADE - Conclusão


Comunidade em festa

E a festa foi um sucesso, pois começou ainda antes da sua realização, por causa da preparação. Montaram-se tendas fora da Igreja. Elaborou-se um programa geral de animação. Lançou-se o apelo á inscrição para um almoço que congregou mais de 500 pessoas, seguido de um concerto ao ar livre. Mas a Eucaristia foi o momento mais alto, porque os 20 grupos foram apresentados à Comunidade.

Há partes do programa da Festa que nasceram da necessidade de resolver problemas sérios. Por exemplo: ‘Tínhamos tendas montadas fora da igreja e era preciso vigiá-las de noite. Pagar seguranças era muito caro. Os jovens encontraram a solução com a proposta de uma longa vigília de oração de Taizé, prolongada até de manhã comum programa orientado pelos e para os jovens. Foi fantástico e resolveu o problema’.

Missão da ComUnidade

A Festa da ComUnidade mostrou ao P. Nélio que a Paróquia tem, para a Missão, mais dons e possibilidades do que se pensava: ‘a comunidade local, pelo modo como vive e se relaciona e porque tem em comum a fé no Deus que, por amor, morreu por nós, deve ser um testemunho interpelador de uma outra comunidade, o Reino de Deus já presente no meio de nós. Neste sentido, é uma missão da comunidade no seu todo: ela deve ser a protagonista da missão – o anúncio da Boa Nova - e não um sujeito passivo na sociedade em geral, uma instituição como tantas outras sem influência significativa na vida das pessoas’.

Texto: Tony Neves iN Jornal Voz Verdade - Perfil

Foto: DR

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

NÉLIO PITA, VICENTINO, PÁROCO DE S. TOMÁS DE AQUINO – MISSÃO NA COMUNIDADE

Nasceu na Madeira, cresceu numa família cristã. O encontro com um Padre Vicentino e a Juventude Missionária Vicentina abriram-lhe, de par em par, as portas da Missão e percebeu que Deus lhe apontava o caminho do sacerdócio. Porto, Salvaterra de Magos, Lisboa, Madrid e Funchal são as terras da sua vida. Estudou Teologia (Lisboa), Espiritualidade (Madrid) e Psicologia Clínica (Lisboa). É Pároco de S. Tomás de Aquino desde 2008. Acaba de organizar a Festa da ComUnidade.

Um longo caminho...

Nascido e crescido no Estreito da Câmara de Lobos, o Nélio sonhava ser músico profissional e as coisas de Deus pareciam interessar pouco nos anos quentes da sua adolescência. O encontro com a JMV e a conversa com o P. Gouveia calou a revolta que tomava conta do coração deste jovem que andava á procura de qualquer coisa que desse sentido á vida: ‘comecei a ler a Bíblia como um projecto de felicidade, um projecto para a vida em plenitude. E percebi que o Evangelho seria o meu manual de vida’.

Por isso, decidiu entrar na formação dos Padres da Missão, mais conhecidos por Vicentinos, porque fundados por S. Vicente de Paulo, o grande missionário da caridade, que faleceu faz 350 anos. Com 19 anos, deixava a Madeira e rumava ao Porto. Dali partiria para Salvaterra de Magos, onde fez o Noviciado, transitando para Lisboa, a fim de fazer estudos de Teologia na Universidade Católica. Terminou o curso em 1999, regressando á Madeira, onde seria Ordenado Padre no ano do Jubileu.

Trabalhou na sua Ilha natal até 2001, quando os superiores o surpreendem com um convite para estudar Teologia Espiritual na Universidade de Comillas, em Madrid. E lá partiu. Terminados os estudos em Espanha, foi nomeado para coordenar a formação de futuros padres vicentinos, em Lisboa, onde esteve de 2003 a 2008, iniciando um Mestrado em Psicologia Clínica.

S. Tomás de Aquino

Como a vida dá muitas voltas e os sinais do Espírito viram muitas coisas do avesso, é convidado em 2008 para ser Pároco de S. Tomás de Aquino, sucedendo ao P. José Alves, pároco desde a fundação, em 1986. O P. Nélio já percebeu que a sua paróquia está cheia de vida: famílias novas, jovens, crianças. Sente uma enorme necessidade de criar mais espaços de encontro, de escuta, de reflexão, de oração, de ajuda. Daí a iniciativa da Festa da ComUnidade: ‘Que ela seja oportunidade para reparar e fortalecer os laços que, entre nós, já estejam gastos pelo tempo e pelas circunstâncias da vida. Que nos faça sentir que, como Igreja, somos uma grande família. – assim escreveu o P. Nélio no convite á festa.

(CONTINUA NO PRÓXIMO POST...)

Texto - Tony Neves iN Jornal Voz Verdade - Perfil

Foto: DR

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

SÓNIA E JOSÉ ALFREDO, JUNTOS PELOS SEM ABRIGO - MISSÃO NA COMUNIDADE VIDA E PAZ - Conclusão


Caminhar com os sem abrigo

E os caminhos, aparentemente tão distantes, cruzaram-se na Comunidade Vida e Paz. Diz o Zé: ‘Esta obra de apoio aos Sem Abrigo é um espaço onde concretizamos, dia após dia, o espírito missionário que sentimos e nos caracteriza’. A Comunidade Vida e Paz é uma obra que, sob tutela do Patriarcado de Lisboa, atende a população sem abrigo das zonas urbanas e as acolhe nos seus diversos centros com vista à sua reabilitação, recuperação e futura reinserção social. Tem cerca de 250 pessoas em reabilitação, para uma mudança de via e reinserção na sociedade. Conta o que faz: ‘Desde 1999 que assumo funções de coordenação de centro, primeiro na Venda do Pinheiro e agora em Sapataria, uma freguesia do concelho do Sobral Monte Agraço. A Sónia, licenciada em gestão de empresas, trabalha também desde o ano 2000, na área administrativa e financeira, na Quinta do Tomada na Venda do Pinheiro. Eu e a Sónia sentimos que foi esta instituição que nos uniu e que nos dá espaço de concretizar hoje a missão de ajudar a outros, transformando-nos a nós próprios’.

O Zé, para conhecer melhor a realidade dos sem abrigo e o trabalho que com eles se faz, visitou o Brasil (2004 e 2007) e a República Dominicana (2005). Recorda: ‘Estive na Comunidade “Servos de Cristo Vivo” da República Dominicana e, no Brasil, contactei com o povo da rua, sobretudo em São Paulo. Guardo na memória as sessões de esclarecimento cívico que vi realizar num dos albergues da cidade onde era promovida a consciência interventiva e de participação social de todos. A comunidade ‘Aliança de Misericórdia’, que me acolheu em S. Paulo, mostrou-me a dinâmica da igreja jovem do Brasil. A igreja inserida junto dos pobres com eles e vivendo como eles’.

Missão ao pé da porta

Casaram em 2005 e a Missão continua: ‘A cada dia, ao chegar a casa, temos à porta roupa e papel. Ao longo dos últimos anos ‘ensinámos’ aos nossos vizinhos o valor da reciclagem. Com o papel que reciclamos conseguimos fundos para o projecto e a roupa é dada aos que mais precisam. Mesmo que alguns dias rabujemos com a presença maciça de roupa e papel à porta de casa, a verdade é que nestes pequenos gestos das pessoas estão presentes a solidariedade e a preocupação de uns pelos outros’.

Texto: Tony Neves iN Voz Verdade - Perfil

Foto: DR

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

SÓNIA E JOSÉ ALFREDO, JUNTOS PELOS SEM ABRIGO - MISSÃO NA COMUNIDADE VIDA E PAZ

A Comunidade Vida e Paz juntou a Sónia e o Zé Alfredo, continuando a ser hoje o grande espaço de Missão desta família. Os percursos de fé e de vida foram diferentes, mas assentes no mesmo pilar: uma profunda fé em Jesus Cristo. Ele fez uma longa experiência missionária no Quénia. Ela doou-se como catequista, cantora, animadora de jovens na Paróquia da Malveira. Vivem hoje no Turcifal, Torres Vedras.

Ele cresceu nos Verbitas

O Zé Alfredo tem um tio que é Padre Verbita e se encontra hoje por terras da Amazónia. Esta tradição de família levou-o ao Seminário com apenas dez anos. Os atractivos e desafios da Missão cresceram com ele e foi fazendo caminho. Assim, em 1994 e 1995, fez no Quénia uma experiência missionária que nunca mais esquecerá: ‘Foi uma experiência de formação transcultural inesquecível, mas sobretudo estruturante. Ali aprendi o sentido da distância e da saudade, mas também da verdadeira amizade, da solidariedade, da alegria de viver e da comunhão eclesial. Estive na missão de Kayole, nas redondezas da capital Nairobi. Ali participei na formação de uma comunidade constituída por grupos oriundos de todas as províncias e etnias do país (mais de 40 no Quénia) e contactei com a pobreza na sua forma mais crua. Lembro ainda com arrepio a preocupação com o flagelo da infecção do HIV-SIDA, a espalhar-se com rapidez entre as pessoas, já naquela altura’.

Ela cresceu na Paróquia

A Sónia também fez o seu caminho, participando activamente na actividade paroquial através da caminhada de catequese e da participação nos grupos de jovens da Malveira: ‘Éramos um grupo muito dinâmico, organizamos imensas festas para angariação de fundos, participámos e organizámos o festival vicarial da canção, entre outras iniciativas. Participei no grupo coral (gosto muito de cantar… e alguns dizem que tenho jeito!), fui catequista. A minha missão mais recente, como catequista, foi a de preparar um grupo para o sacramento da Confirmação. Hoje sinto-me muito orgulhosa quando vejo alguns desses jovens a colaborar nas diversas actividades da paróquia e penso sempre que, se calhar, eu tenho alguma responsabilidade nisso. A experiência mais marcante veio a ser a minha participação na Jornada Mundial da Juventude em Roma, por ocasião do ano Jubilar de 2000. Foi uma experiência inesquecível de interculturalidade e comunhão’.

(CONTINUA NO PRÓXIMO POST...)

Texto: Tony Neves iN Jornal Voz Verdade - Perfil

Foto: DR

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

MARIA



Maria é a mais bela história de amor
que algum dia a história registou.

O Espírito Santo foi encontrá-la
Entre as fragas de uma terra desconhecida
e as fontes das águas puras
das montanhas da Galileia.

Toda a história da salvação
se recolhe nesse diálogo
nas pregas de uma aldeia esquecida,
onde o poder infinito de Deus
e a pequenez de uma mulher sem história
deram as mãos
e abriram à historia um futuro novo.

Peregrinos de montanhas e desertos
profetas da promessa e da novidade de Deus,
aqui se juntaram
como testemunhas de uma Aliança
muitas vezes esquecida
e outras tantas vezes anunciada.

Maria foi o presépio,
onde a história se reuniu
e o Espírito Santo levantou a sua tenda,
para o Filho de Deus habitar entre nós
e fazer do nosso mundo a sua casa.

Texto: A. Torres Neiva
Foto: DR