quinta-feira, 21 de agosto de 2008

A MISSÃO E A PARTILHA DOS TESOUROS DAS IGREJAS (Conclusão)

2. S. Paulo e a comunhão entre as Igrejas

Paulo fundava comunidades, voltava por vezes um pouco mais tarde para fazer uma visita, escrevia-lhes uma carta, mas não ficava preso àquela comunidade por muito que gostasse dela. Cada comunidade vivia a sua própria história, bastava-se a si mesmo, mesmo financeiramente, desenvolvia-se com os seus próprios meios. Cada comunidade tinha as suas características particulares, os seus aspectos bons e maus. Cada uma devia escutar o Espírito que lhe falava com palavras apropriadas à sua situação (Apoc. 2,7).
Mas não obstante a sua autonomia e as distâncias que separavam estas Igrejas, elas conheciam-se mutuamente e sentiam-se em comunhão umas com as outras.

1. Mandavam-se cumprimentos umas às outras: “Saúdam-vos as igrejas da Ásia” (1 Cor 16, 19); trocavam entre si as cartas de Paulo: “Depois de terdes lido esta carta fazei com que ela seja também lida na igreja de Laodiceia” (Col 4, 16); mostravam-se generosas umas para com a noutras, sobretudo para com a Igreja de Jerusalém. Partilhavam entre si as alegrias e as boas novas da sua actividade missionária. Paulo e Barnabé partirão para a igreja mãe a pedido da comunidade, para dialogar com ela, a propósito dos grandes problemas que surgiram no seu seio, mas também para comunicar as maravilhas que Deus operava entre os pagãos (Actos 15, 15). Era uma das constantes dos apóstolos: após o seu regresso reunir a comunidade para contar as maravilhas operadas por Deus no seio das outras comunidades.

2. As comunidades ajudavam-se mutuamente
A comunidade de Corinto enviará Tito e dois homens de boa reputação escolhidos pela comunidade, à igreja de Roma, não só para a ajudar nas suas necessidades mas também para com eles dar graças a Deus (2 Cor 9, 12).
O próprio Paulo irá pessoalmente como delegado da igreja de Roma a Jerusalém levar a esmola dos romanos para que as tensões entre ele e as comunidades nascidas tanto do paganismo como do judaísmo fossem atenuadas e a comunhão existisse entre as várias comunidades, mau grado a sua diversidade. Ele pede aos Romanos para que rezem afim de que a sua iniciativa fosse bem aceite pelos “santos” (Rom 15, 26-31).
A comunidade de Corinto envia a sua equipa dirigente, Estéfanes, Fortunato e Arcaico ter com Paulo, pois devido às perturbações existentes na comunidade, não sabiam exactamente o que fazer. Paulo envia-lhes Timóteo e escreverá uma carta para restabelecer a calma (1 Cor 4, 17).
À comunidade de Filipos, Paulo enviará dois dos seus colaboradores, Timóteo e Epafrodito.
Aos Colossenses, aos Efésios, a Filémon, é ainda a chegada de um delegado da igreja junto de Paulo, Epafras, que lhe faz escrever a sua carta.
Estas cartas mostram qual o papel de Paulo e seus colaboradores nas relações entre as igrejas locais e os apóstolos. Mesmo não conhecendo pessoalmente os cristãos de Colossos e da Laodiceia (Col 2, 1), ele defende que deve estar em comunhão com eles, para os estimular e encorajar (Col 2, 2), mostrando assim a sua solidariedade com Epafras, que era o responsável da igreja local.
S. Paulo dirá aos Gálatas (Gal 2,2) que se o Evangelho que ele pregava aos gentios não tivesse sido aprovado pela comunidade mãe, ele teria tido a impressão de “correr em vão”. Fora da comunhão, toda a actividade missionária deixava de ter sentido. Sobretudo nas cartas que escreveu durante a sua terceira viagem, ele procura reforçar o sentimento de solidariedade das comunidades que fundava entre pagãos para com a comunidade de Jerusalém que vivia um momento difícil (1 Cor 16, 1-4). A importância de estar em comunhão com a Igreja-Mãe era tão importante, que ele não hesitou em fazer-lhe uma última visita, bem sabendo que arriscava a prisão e a morte. Para ele, a unidade e a comunhão eram um valor tão importante que valia bem a pena morrer para o salvaguardar.

Pe. Adélio Torres Neiva, CSSp
In "S. Paulo e a Missão sem Fronteiras" - Ed. LIAM
(Fim do artigo)
Foto: DR

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