quinta-feira, 26 de junho de 2008

CONGRESSO MISSIONÁRIO NACIONAL 2008

É de todos conhecido o princípio de que “a Igreja é por sua natureza missionária”.
No entanto, quando chega o momento de tirar conclusões práticas deste princípio, nem sempre o modo como se faz é assim tão linear.
Na carta encíclica “Redemptoris Missio” o papa João Paulo II diz, logo no número um que, “no termo do segundo milénio, após a Sua vinda, uma visão de conjunto da humanidade mostra que tal missão está ainda no começo, e que devemos empenhar-nos com todas as forças no seu serviço”.
O Primeiro Congresso Missionário Nacional que acabámos de celebrar pode constituir um novo impulso à vivência missionária da Igreja em Portugal, como o próprio lema indica: “Portugal, vive a Missão, rasga horizontes”.
Podemos dizer que este evento é o ponto de chegada de uma longa caminhada que teve como momentos marcantes, a nível mais geral, as Semanas Missionárias Nacionais a que sucederam as Jornadas Missionárias Nacionais, o Ano Missionário em 1998 que coincidiu com o Ano do Espírito Santo na caminhada para o grande Jubileu do ano 2000, a edição anual do Guião Outubro Missionário e, finalmente, o Simpósio Missionário que teve lugar em 2004.
A isto devemos juntar tudo aquilo a que podemos chamar de “fervilhar missionário” traduzido na criação de grupos missionários ligados aos Institutos Missionários, Dioceses e Paróquias, programas de animação missionária nas comunidades locais, um cada vez maior número de leigos que vai fazendo experiência de missão quer no nosso país, quer em países terceiros, lançamento de iniciativas de apoio à Missão como campanhas de solidariedade material ou de luta por grandes causas da humanidade.
Tudo isto tem acontecido numa cada vez maior comunhão e colaboração entre os diversos Institutos Missionários e destes com as Igrejas Locais.
Poderíamos continuar a enunciar outros sinais de que o espírito missionário em Portugal está vivo. Mas estes bastam para percebermos que este Congresso é como que a síntese e a celebração de toda uma vivência que tem tido lugar.
Mas o caminho ainda está por fazer. Como diz o papa, ainda estamos a começar.
Daí que este Congresso possa constituir como que um patamar que, por um lado, que nos permite parar, olhar para trás para perceber o caminho já feito – aprendendo com o que foi bom e menos bom -, por outro, olhar em frente e perceber que novos caminhos o espírito nos convida a trilhar; daqui o desafio a “rasgar horizontes”.
Certamente que estes novos horizontes que é preciso rasgar passam pelas respostas iluminadas pela fé que é preciso dar às situações que as novas realidades locais e mundiais em que estamos inseridos nos apresentam.
Como nos diz o papa Bento XVI na última mensagem para o Dia Mundial das Missões, cujo título era “Todas as Igrejas para o Mundo Inteiro”, todas as igrejas, quer as de mais antiga tradição cristã, quer as de evangelização mais recente, são chamadas ao “intercâmbio de dons” que redunda em benefício para todo o corpo místico de Cristo. Isto significa um novo passo em relação àquela ideia de que a Missão é destinada a um grupo particular ou restrito.
Os novos horizontes também passam pela nova consciência de que a “Missão ad Gentes” mais que referente a um território concreto em termos físicos, se aplica a situações humanas novas que frequentemente surgem no seio de comunidades de antiga tradição cristã.
Por isso, a dinâmica missionária que urge imprimir às nossas comunidades não é apenas no sentido de levar os seus membros para outros pontos geográficos, mas também a de começar a evangelização a partir da própria comunidade a que se pertence. Não há, portanto, duas igrejas, uma “ad intra”, outra “ad extra”. Terá que se o mesmo empenho missionário que há-de levar cada cristão a descobrir em que lugar concreto deve cumprir a sua missão, consoante a vocação a que foi chamado.
Um outro novo horizonte que se começa a vislumbrar para a Igreja em Portugal é o acolhimento de missionários de outras latitudes. A vinda destes missionários não pode ser apenas pela falta de vocações na velha Europa e também em Portugal. Trata-se de um sinal eclesialidade que trará consigo novas problemáticas, mas que também irá exprimir melhor a imagem da Igreja como novo povo de Deus que caminha para a unidade acima das questões étnicas ou culturais.
Mas será sobretudo a participação no Congresso e a atenção às comunicações nele feitas e às suas conclusões que ajudará toda a Igreja em Portugal a relançar-se numa nova etapa da suma caminhada missionária depois de ter celebrado e agradecido a missão que já vive. Que, guiados pelo Espírito de Deus, nos disponibilizemos a com Ele abrir os novos caminhos que a Missão de hoje do pede.

Pe. Vítor Mira
Texto a inserir no Guião
Outubro Misssionário 2008

Sem comentários: