segunda-feira, 22 de junho de 2009

APRENDER A MISSÃO COM S. PAULO – Parte III

11. A escuta da Palavra de Deus é o primeiro caminho por onde passam os desígnios e os segredos de Deus. É ela que, pela força do Espírito Santo, nos revela pouco a pouco o mistério da missão. A Palavra de Deus deve percorrer os caminhos do mundo e da história que hoje são também os caminhos das novas tecnologias, da comunicação informática , televisiva e virtual.

A missão é o caminho da Palavra

12. Estar atento aos sinais dos tempos. Deus fala-nos de muitas maneiras: pela palavra revelada, pelos acontecimentos e pelas pessoas. A história é a agenda de Deus e é por ela que Deus nos fala e faz sinal. Deus assumiu a história ao incarnar no tempo e ao fazer dele o confidente dos seus desígnios de amor. Deus vai-se revelando pouco a pouco, percorrendo e acompanhando os caminhos dos homens. Quando Ele envia os seus missionários, parte com eles para a terra de missão.

O mundo criado é o primeiro cenáculo da missão

13. Acreditar que as marcas de Cristo Crucificado são as marcas por onde passa missão. Anunciar a missão é ser testemunha de Cristo morto e ressuscitado. Deus amou tal maneira o mundo que lhe deu o seu próprio Filho, para que todos tenham a vida nele. O sinal mais evidente que S.Paulo aponta para legitimar o seu apostolado é trazer no seu corpo as marcas de Cristo Crucificado.

As marcas de Cristo crucificado são o bilhete de identidade da missão.

14. A missão toma o rosto do missionário: ela passa pela sua paixão pela humanidade, pela sua ternura para com os homens e pelo calor humano com que sabe envolver o Evangelho. É um dom a tempo inteiro. S.Paulo fala da missão como maternidade e paternidade. “Podendo fazer sentir o nosso peso como apóstolo de Cristo, fizemo-nos pequenos entre vós, como um mãe que acalenta os filhinhos quando os alimenta”. A missão é um mistério de ternura que toma todo o ser do apóstolo, todo o seu tempo, todas as suas canseiras, toda a sua criatividade.

O missionário é o rosto da missão

15. As margens e as periferias são um espaço privilegiado para a missão. Os pobres e marginalizados são o lugar mais frequentado por Jesus. São os pobres que nos ajudam a descobrir os valores autênticos do reino de Deus. “Eu Te bendigo ao Pai porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos”. Não há entre vós muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos sábios: o que é fraco segundo o mundo é que Deus escolheu para confundir o que é forte. O que é vil e desprezível no mundo é que Deus escolheu.”

Os pobres e excluídos são a prioridade da missão

16. A missão tem o seu pé na comunidade. A comunidade não é apenas uma estrutura de eficiência apostólica, mas é o alicerce do Reino de Deus. É ela que anuncia antes de mais nada os valores do reino de Deus. Deus criou a Igreja para manifestar ao mundo o mistério da sua vontade, para revelar ao mundo o seu plano de salvação. O plano de Deus é conduzir os tempos à sua plenitude, reunir tudo o que há no céu e na terra. O amor de Deus abraça todos os homens e todas as realidades terrestres. A comunidade é o sacramento desta comunhão.

A comunidade é o alicerce da missão.

17. A missão é comunhão e partilha entre as igrejas. Cada comunidade revela uma face do rosto de Cristo ou uma página do Evangelho. Só da comunhão de todas a igrejas é que o Evangelho está completo e o rosto de Cristo atinge a sua plenitude. S.Paulo aparecia na igrejas que fundara como ministro da comunhão, aquele que punha as comunidades em comunhão umas com as outras. Ele dirá aos Gálatas que se o Evangelho que ele anunciava aos gentios não tivesse sido aprovado pela comunidade mãe, ele teria a impressão de “estar a correr em vão”. Fora da comunhão das igrejas toda a actividade deixava de ter sentido.

A missão é partilha dos tesouros das igrejas

(Continua no próximo Post...)

Texto: A. Torres Neiva

Foto: JCF

Sem comentários: