quarta-feira, 16 de julho de 2008

DIOCESES EM MARCHA...LEIRIA-FÁTIMA

Nota Pastoral sobre o Congresso Missionário 2008

Despertar o espírito de missão e reacender um novo ardor missionário

De a 3 a 7 de Setembro próximos realiza-se, em Fátima, o Congresso Missionário Nacional. Com este Congresso pretende a Igreja em Portugal despertar nas comunidades cristãs o espírito de missão, reacender um novo ardor missionário, descobrir novos caminhos da missão, na esteira da nossa melhor tradição como um povo de missionários.

Este acontecimento proporciona-me a feliz ocasião de fazer um apelo à dimensão missionária da nossa diocese e a uma participação significativa no Congresso, que acontece no ano dedicado a São Paulo, o Apóstolo missionário por excelência.

1. A urgência da missão
O Papa Bento XVI na mensagem de 2007 para a Jornada Missionária Mundial, com o título “Todas as Igrejas para o mundo inteiro”, sublinhou que é “urgente a acção missionária perante o avanço da cultura secularizada... De outro modo, as Igrejas correm o risco de se fecharem em si mesmas, de olharem com reduzida esperança para o futuro... Mas é precisamente este o momento de abrir-se com confiança à providência de Deus que nunca abandona o seu povo.”

O mandamento do Senhor ressuscitado “Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho” (Mc 16,15,) é sempre actual e urgente. É interessante notar que o Ressuscitado não pede aos Apóstolos para embelezar a sepulcro, colocar lápides, dedicar-lhe ruas, nem construir-lhe monumentos, nem muito menos organizar-lhe festas. Pede-lhes para anunciar o Evangelho a todo o homem, encorajados pela ternura de Deus e pelo seu intenso amor gratuito por toda a criatura humana.

2. Toda a Igreja é missionária, a exemplo de S. Paulo
S. Paulo compreende e vive, de modo extraordinário, esta dimensão missionária da Igreja. Ele mesmo nos confia o segredo da sua actividade de missionário incansável ao exclamar: “O amor de Cristo possui-nos e impele-nos ”. Foi o amor de Cristo que o levou a percorrer as estradas do império romano e a enfrentar todos os riscos como arauto e missionário do Evangelho.

A missão é uma irradiação da luz e do amor de Deus que em Cristo entra na história dos homens. Nenhum cristão é estranho a esta tarefa. Toda a Igreja é missionária. A missão não é obra de navegadores solitários. Deve ser vivida na barca de Pedro, a Igreja, conforme os dons que cada um recebe do Espírito.

Bento XVI, numa das catequeses semanais, ao apresentar as figuras dos colaboradores mais íntimos de S. Paulo – Barnabé, Silvano e Apolo – explicou que na evangelização não há solistas, porque todos têm uma tarefa decisiva no campo do Senhor. Paulo não age como solista, como puro indivíduo, mas juntamente com outros colaboradores dentro do “nós” da Igreja: “Cada um tem uma tarefa determinada no campo do Senhor: Eu plantei, Apolo regou, mas é Deus quem faz crescer... Somos de facto colaboradores de Deus e vós sois o campo de Deus e o edifício de Deus.”

“Assim, nesta missão de evangelização eles encontraram o sentido da sua vida e, enquanto tais, estão diante de nós como modelos luminosos de desinteresse e de generosidade”, conclui o Santo Padre.

Também hoje o Evangelho deve ser anunciado por nós como o pão para que o mundo não morra de fome; como a água para que ninguém morra de sede; como o ar que se respira ou como o sol que aquece e retempera. Basta que levemos o nosso testemunho humilde e generoso mas indispensável e precioso. E há tantos modos de levar este testemunho!... Felizmente encontramos hoje o ressurgir de novos tipos de vocação missionária entre jovens e menos jovens que se dispõem a oferecer, em forma de voluntariado, alguns meses ou anos da sua vida ao serviço dos irmãos em terras de missão.

3. A geminação entre a diocese de Leiria-Fátima e a diocese do Sumbe
Entre nós é de salientar, neste contexto, a geminação entre a nossa diocese e a diocese do Sumbe, em Angola. Esta iniciativa é uma concretização do método missionário evocado pela mensagem do Santo Padre: “Todas as Igrejas para o mundo inteiro” e expressão da comunhão das Igrejas na missão evangelizadora. Tem servido para manter viva a dimensão missionária da (e na) nossa Diocese. Temos a trabalhar no Sumbe uma equipa constituída por um padre e alguns jovens leigos voluntários. Faço um apelo para que esta realidade seja dada a conhecer em cada uma das nossas comunidades, de modo a tornar-se interpeladora e suscitadora de vocações missionárias entre os jovens.

Por fim, peço aos reverendos párocos que dêem a conhecer nas suas comunidades a realização do Congresso Missionário Nacional e envidem esforços para que cada comunidade se faça representar por alguns membros.

O grande apóstolo São Paulo nos ajude, com a sua intercessão e exemplo, a reavivar o ardor missionário na nossa querida Diocese!



D. António Marto
Bispo de Leiria- Fátima

terça-feira, 15 de julho de 2008

VÁRIOS MINISTÉRIOS - UMA MISSÃO (CONT.)

Quem ignora a imensa riqueza missionária com que o Espírito de Deus dota a Igreja na multiforme diversidade dos Institutos de Vida Consagrada! Na vanguarda da missão, os religiosos e religiosas oferecem, pelo testemunho de vidas entregues, o mais belo exemplo da alegria e da doação ao serviço do anúncio do Evangelho no meio dos povos que não conhecem Cristo.
Mas a missão não se esgota aqui. Os missionários leigos são o rosto deste carácter missionário de todo o Povo de Deus, recebido no baptismo e desenvolvido através do florescimento e da maturidade de uma variedade de ministérios. Os leigos catequistas assumem em terras de missão uma criatividade evangelizadora plena de encanto e repassada de eficácia apostólica.
São muitos ainda para lá dos catequistas aqueles que, como leigos e leigas, no voluntariado missionário não temem o desafio das exigências da missão e se entregam apaixonadamente ao serviço do Evangelho, das pessoas e dos povos que ainda não conhecem Cristo, vivo e ressuscitado, ou que experimentam situações de pobreza, de injustiça ou de sofrimento. Ser missionário é ser mensageiro da fé, samaritano da esperança e servidor da caridade.
Unir e fazer pontes, consolidar a comunhão na diversidade e na beleza da variedade de tantos ministérios, vencer dissonâncias e superar dificuldades, respaldar a dignidade sagrada da pessoa humana e promover o desenvolvimento harmonioso e justo dos povos constituem hoje certamente algumas das exigências maiores da acção missionária da Igreja.
A unidade na diversidade e a união na comunhão alicerçam a fecundidade da missão e são certamente o terreno fértil onde florescem novas vocações missionárias.
Se a messe é grande em todo o lado onde a semente da Boa Nova do Reino já germina com abundância, maior ainda se mostra no campo imenso dos que aguardam o primeiro anúncio do Evangelho.
Imploremos insistentemente ao Senhor que envie trabalhadores para a missão.
Animados pela “esperança que salva” sentimos os passos firmes dos missionários que partiram das suas terras de origem com pés de peregrinos e almas cheias de Deus e que moram longe com a certeza de que vivem na Terra do chamamento e da promessa.
Ouvimos a voz dos que nunca se cansaram de falar de Deus e que marcaram a história da Igreja com a verdade da fé, o testemunho de vida e por vezes mesmo a heroicidade do martírio.
Encontramos a beleza e o testemunho coerente da missão com marcas de generosidade, em hinos a Deus proclamados, no Pão da Eucaristia abundantemente repartido, em feridas e dores curadas, em fomes saciadas e na dignidade a tantas vidas restituída.
A missão desenha-se e lê-se no rosto e na vida de tantos irmãos evangelizados e está esculpida e cinzelada na história de tantos povos feitos terra de paz e de liberdade. Em todos os continentes levantam-se hoje Tendas e Cenáculos – verdadeiros lugares de encontro de Deus com todos os Povos do Mundo.


D. António Francisco dos Santos
Bispo de Aveiro e Presidente da Comissão
Episcopal das Vocações e Ministérios
(Fim do Post)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

VÁRIOS MINISTÉRIOS - UMA MISSÃO

“Sereis minhas testemunhas até aos confins do mundo”
Act 1, 8


A encíclica Redemptoris Missio lembra-nos que “não existe testemunho sem testemunhas como não há missão sem missionários”[1]
Na escolha dos doze apóstolos, Jesus encontrou os primeiros discípulos para permanecerem com Ele e por Ele serem enviados.
Ao lado dos apóstolos e a partir deles surgem pessoas, grupos e comunidades que depois de evangelizados se transformaram em evangelizadores.
A missão é desde o seu início uma tarefa de toda a comunidade cristã. É no dinamismo apostólico da comunidade, que despertam novos agentes evangelizadores, atentos ao chamamento do Mestre e conduzidos pelo Espírito que é a alma da missão.
Mesmo nos momentos e lugares em que o número dos cristãos era ainda reduzido, aí florescia já o zelo missionário. A missão é confiada desde o início a toda a Igreja.
O zelo pela Casa de Deus e a responsabilidade pela Causa de Jesus que a evangelização do mundo constitui foram confiados aos apóstolos e através deles aos seus sucessores, os bispos.
“O cuidado de anunciar o Evangelho, em toda a terra, pertence ao colégio dos pastores, aos quais, em comum, Cristo deu o mandato”[2]
Conscientes deste mandato, sentindo que foram ordenados para a salvação do mundo e não apenas para uma diocese, os bispos têm diante de si um imenso horizonte missionário.
Não basta ao bispo diocesano coordenar e promover a actividade missionária na sua diocese mas deve estabelecer pontes e gerar dinamismos que promovam comunhão e favoreçam a abertura e a partilha entre Igrejas particulares.
Participam desta missão os presbíteros e diáconos, nas suas comunidades ou como missionários ad gentes
Particularmente vinculados à missão estão os sacerdotes que pertencem a institutos religiosos, sobretudo aqueles que na especificidade da sua identidade têm a acção missionária como carisma essencial. São múltiplas e belas as formas e os carismas de vocação missionária que os sacerdotes acolhem, assumem e testemunham.



[1] JOÃO PAULO II, Encíclica Redemptoris missio, Roma 1990, 61.
[2] II CEV, Constituição dogmática sobre a Igreja Lumem Gentium, 23.





(Continua no próximo post)
D. António Francisco dos Santos
Bispo de Aveiro
e Presidente da Comissão Episcopal
das Vocações e Ministérios

quarta-feira, 9 de julho de 2008

FESTA DA MISSÃO E PEREGRINAÇÃO MISSIONÁRIA NACIONAL

Institutos Missionários Ad Gentes (IMAG)

Em nome das Obras Missionárias Pontifícias, quero expressar a minha alegria e satisfação pelo sinal de unidade e comunhão que os Institutos Missionários Ad Gentes (IMAG) manifestaram, aquando da II Peregrinação Missionária Nacional, em Fátima, realizada no último fim de semana.
Por outro lado, muito agradecemos aos organizadores do IMAG e ANIMAG, que dentro das possibilidades do Santuário, tornaram possível esta manifestação de fé e alegria dos missionários, missionárias e leigos(as) da Igreja missionária em Portugal.
Retenho ainda na memória as cerca de 30.000 pessoas, oriundas de todos os cantos do país, que com as suas faixas alusivas ao evento, celebraram esta festa da Missão.
A terminar, uma referência especial a D. António Couto, Presidente actual da Comissão Episcopal das Missões e a D. Manuel Quintas, anterior Presidente, pela sua presença e interesse em prol da causa missionária.

O Director Nacional
Pe. Manuel Durães Barbosa, CSSp

Fotos: João Cláudio Fernandes

segunda-feira, 7 de julho de 2008

II PEREGRINAÇÃO MISSIONÁRIA NACIONAL

Institutos Missionários Ad Gentes (IMAG)


Estimados Amigos e Amigas Imag/Animag

A todos os que contribuíram para fazer deste fim de semana uma bela festa da Missão no caminho que Maria nos aponta de acolhimento e abertura aos outros, muito, muito obrigado. Bem haja a cada um de vós e todos aqueles que conheceis e a quem peço transmitais esta palavra de gratidão e de louvor, pela festa e alegria que transmitimos e vivemos como missionários e missionárias. Bem hajam e que o Congresso missionário de Setembro possa reunir-nos, de novo, nas formas de fazermos este ritmo missionário ainda mais envolvente, abrangente e dinamizador.
Um abraço em Cristo, nossa força de Missão a levar-nos para horizontes mais largos.


P. José Manuel Sabença
Presidente dos Imag
Foto: João Cláudio Fernandes

sexta-feira, 4 de julho de 2008

FORMAÇÃO DE UM GRUPO MISSIONÁRIO

Formar um grupo missionário na paróquia é uma forma de ajudar a concretizar as exigências da paróquia Missão ou da sua vocação missionária, evangelizadora.

Como fazê-lo? Vários modos possíveis…
1. Sensibilização do pároco acentuando o envolvimento paroquial do grupo e como isso poderá fazer suscitar em alguns leigos um maior empenho na sua comunidade, como catequistas, cantores, vicentinos, etc. Importante referir o exemplo de alguma paróquia próxima.
2. Por convite do pároco ao povo…
3. Duas ou três pessoas que se interessam pela Missão e se propõem convidando outras pessoas.
4. Pela passagem, testemunho e interpelação de um missionário ou missionária durante uma celebração, pregação ou jornada missionária.
5. Por testemunho de um grupo missionário já existente numa paróquia vizinha e que informa o pároco e se propõe ajudar á criação de um novo grupo.

Pedagogia possível:
1. Anunciar um primeiro encontro de informação geral sobre a Missão da Igreja. Talvez o fim de uma celebração eucarística, na qual, alguém fez o apelo à participação e interesse pela Missão.
2. Nesse encontro, breve porque as pessoas acabaram de sair de uma celebração, é importante: apresentar-se e apresentar os objectivos de um grupo missionário, nomeadamente informação, formação, partilha e oração; propor um encontro num dos dias seguintes para aqueles que desejarem formar esse grupo.
3. Nessa reunião definir: regularidade das reuniões; animador, secretário e tesoureiro; esquema habitual da reunião; contactos de ligação, algum livro ou subsidio para ajudar na reunião, eleição dos responsáveis do grupo e escolha do dia habitual da reunião. Comunicar ao pároco.
4. Tudo isto deve ser “regado” com oração, canto e invocação ao Espírito santo.

Esquema possível de reunião, com três momentos:
1. Oração: um canto ou um texto bíblico ou o terço missionário…
2. Formação/informação: leitura e comentário de um texto sobre a Missão, os leigos, etc.
3. Acção: Que actividades vão ajudar a tornar a nossa paróquia mais missionária? Actividades de tipo litúrgico: oração, cartaz, canto, ao domingo, uma vez por mês? Actividades de tipo educativo: presença na catequese das crianças; jornal de parede sobre a Missão e os missionários; divulgação da imprensa missionária; campanhas de rua ou de porta em porta?

Numa reunião é sempre importante programar para poder realizar bem mas também é importante avaliar para poder fazer melhor no futuro. Mas muito importante também é por um lado “meter” o pároco ao barulho e, por outro, informar a comunidade da vida e actividades do grupo.

Foto: JCF

quarta-feira, 2 de julho de 2008

MISSÃO QUE É JUSTIÇA E PAZ E INTEGRIDADE DA CRIAÇÃO

O documento conciliar sobre a Igreja no mundo contemporâneo (Gaudium et Spes) começa por uma frase típica e determinante para a Missão da Igreja no nosso tempo. “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo: e não há realidade verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração”
É o homem concreto, vivendo num mundo de desigualdades sociais, vítima de injustiças, de exclusão e de exploração que vai inspirar e orientar a missão da Igreja. É a situação gritante dos povos subdesenvolvidos e explorados nas suas matérias-primas, continuando a alimentar os países ricos e a sua indústria poluidora do ambiente que merece a atenção da Igreja.

A missão reveste cada vez mais o rosto da justiça social e da construção de uma paz justa e duradoira, da cultura da não-violência, da defesa dos direitos humanos e da dignidade da pessoa humana.

O anúncio do Evangelho passará pela promoção de um desenvolvimento sustentado, de novas formas de solidariedade, da abertura de um espaço cada vez maior para a pessoa e para as relações humanas, gratuitas, não instrumentalizadas. É o desafio dos valores da pessoa, dos gestos sem retorno, da construção de comunidades à escala humana.

Ser cristão hoje implica acreditar no testemunho da sobriedade e da pobreza, dos valores do Evangelho, que resistem ao tempo, na ascese e na simplicidade de vida, na preocupação pela defesa do ambiente e até na reciclagem dos produtos.

A missão passa hoje pela salvaguarda dos direitos da pessoa, da igualdade de todos os seres humanos, sem distinção de sexo ou categoria social, nomeadamente pela afirmação dos direitos da mulher, das minorias, das crianças e dos deficientes. A missão preocupa-se com a luta pelos direitos do ambiente e a defesa da qualidade de vida.

Vivemos um tempo de grande sensibilidade aos valores regionais, ao amor à terra, à diversificação de culturas e religiões. Por isso o diálogo inter-religioso e inter-cultural, a descoberta dos valores das outras religiões e o respeito por todas as culturas são hoje um caminho obrigatório para o anúncio do Evangelho.

O mundo da mobilidade, dos emigrantes, dos deslocados e dos refugiados lança sem dúvida novos desafios à missão da Igreja. A missão torna-se peregrina, inscreve-se nessa caravana de gente à procura de um futuro melhor e levanta a sua tenda no acampamento dos seus sonhos e esperanças.


Foto: Lusa