segunda-feira, 1 de setembro de 2008

A MISSÃO E A MULHER EM S. PAULO


2. O lugar da mulher nas comunidades de Paulo

No contexto da cultura judaica daquele tempo a mulher não podia participar na vida pública A função da mulher limitava-se ao espaço doméstico e à vida familiar. De facto, como vemos no caso de Marta e Maria do Evangelho, a mulher é quem coordenava o trabalho da casa. Assim, a mulher só podia participar na vida da comunidade se a comunidade se reunisse no interior da casa. E assim aconteceu, pois as comunidades fundadas por Paulo, a partir de um determinado momento, reuniam-se nas casas. Eram as chamadas Igrejas domésticas. Em quase todas as igrejas domésticas, mencionadas nas cartas de Paulo, aparece o nome de uma mulher em cuja casa a comunidade se reunia:

- na casa Priscila e Áquila, tanto em Roma (Rom 16,5) como em Corinto (1 Cor 16,19). Eram comerciantes que se deslocavam pelas grandes cidades.
- na casa de Filémon e Ápia (Flm 2).
- na casa de Lídia, negociante de púrpura, em Filipos (Actos 16,15).
- na casa de Ninfa, na Laodiceia, que chegou a receber uma carta de Paulo, que não foi conservada (Col 4, 15).
- na casa de Filólogo e Júlia (Rom 16, 15).
- na casa de Nereu e de sua irmã (Rom 16, 15).
- na casa de Olímpio (Rom 16, 15).

Lembra Carlos Mesters que, para avaliar a novidade desta iniciativa de Paulo, convém recordar que, naquele tempo, os judeus não permitiam que se criassem comunidades ou sinagogas só de mulheres. Exigiam que, no mínimo, houvesse dez homens para se poder formar uma comunidade. Devido a isso, não havia sinagoga em Filipos, pois ali os cristãos eram apenas um grupo de mulheres. Reuniam-se num oratório, “fora da cidade”, para rezar (Actos 16,13). Assim, Paulo teve a coragem de ir contra o costume do seu povo e permitiu que o grupo de mulheres de Filipos formasse uma comunidade (Actos 16, 13-15).

No entardecer da vida, Paulo procura esboçar um plano de actividade feminina ao serviço da Igrejas. Depois de Febe (Rom 16,1-2), adivinha-se a presença em Éfeso de outras diaconisas encarregadas de assistir aos pobres e aos enfermos (1 Tim 3,11) e um grupo de viúvas igualmente consagradas à oração e ao serviço da Igreja (1 Tim 5,9-10).

O trabalho destas mulheres não foi o dos presbíteros nem o dos evangelistas que eram ministérios instituídos: mesmo assim tiveram grande influência na expansão do Evangelho. Não só contribuíram com a sua profissão mas também com as suas viagens: Áquila e Priscila inserem-se no anúncio do Evangelho em todas as viagens que fazem e por todos os lugares por onde passam.


Pe. Adélio Torres Neiva, CSSp
In "S. Paulo e a Missão sem Fronteiras" - Ed. LIAM
(Continua no próximo post)
Foto: Arquivo OMP

1 comentário:

carlos disse...

Boa tarde,
gostava de saber como participar nesta missao.

romeu_paredes_@hotmail.com
obg
Carlos